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Frase de M Clara M.

⁠Ovo, larva, pupa e estágio adulto: a alternância entre as fases de uma metamorfose segue um padrão linear de duração, variando insignificantemente em dias, que se tornam meses e assim uma diferente existência emerge do casulo que abrigou temporariamente um ex-alguém. Me valendo mais uma vez em puro caradurismo da mecânica do mundo, roubo para mim a semiótica e afirmo com provas e convicção que o que nos resta do passado é a pavorosa lembrança de quem fomos há um milésimo de segundo (caso prefira, converta esse tempo à duração que lhe convém). A essa altura do campeonato, se me sobrou um resquício de decência, só me resta admitir o ódio inerente àquela garotinha estragada que acreditava ter o mundo em mãos, mas nem sequer era capaz de administrar os próprios devaneios. Bom, não que isso tenha mudado drasticamente de lá para cá, mas convenhamos que as medicações aparentam surtir um melhor efeito. Apelando (como de costume) a pieguice, dou sinal verde às minhas lágrimas, e que desçam em um tom cinematográfico por essa cara maldita que não passou um dia desse ano hediondo sem levar uma boa bofetada da vida! É, há um ano eu caminhava ao entorno de um parque enquanto levava rajadas de ventos que me desnorteavam em meio a um frio meia-boca de quatro graus, agora me sento no telhado com uma bebida usurpada do armário de meus pais escutando à pavorosa sinfonia de rojões que não tem nenhuma utilidade além de acelerar meus batimentos cardíacos e impulsionar o negativismo que me lembra o calor insuportável que terei de aguentar amanhã. Neste momento deveria estar pensando em como abordarei os acontecimentos traumáticos de dois mil e dezenove nos próximos dez anos de sessões semanais de psicanálise, mas estou escrevendo como uma artista falida mantida pelos pais (sim, é isto o que sou). Afinal de contas, nem os pobres textos escaparam de todas as tragédias, há tempos não vomito a podridão que me faz de hospedeira em um texto melancólico e grotesco, já que por motivos desconhecidos tudo o que escrevo adquiriu um caráter erótico e esporadicamente crítico, minha esperança é de que sejam os tais hormônios os culpados, aliás. Enfim, nessas horas vale a pena citar meu bom e velho amigo Belchior e dizer que ano passado eu morri, mas neste ano eu não morro (espero, não suporto hospitais).

M Clara M.

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Outras frases de M Clara M.

Em vias vazias, quando a noite vira dia, memórias tão livres derramam-se sobre meu corpo como quem não se quer envolver. Lembranças que são taciturnas partem-me à força em minhas meras infortunas noturnas, dilacerando em pedaços o último espaço que me restava na sala de espera do…
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Em vias vazias, quando a noite vira dia, memórias tão livres derramam-se sobre meu corpo como quem não se quer envolver. Lembranças que são taciturnas partem-me à força em minhas meras infortunas noturnas, dilacerando em pedaços o último espaço que me restava na sala de espera dos sonhos. Embalam-me em uma dança alucinante, e o ritmo dançante do pecado da vida se retira de nós e me mata à fria covardia, apunhalando dúvidas diurnas em minhas certezas noturnais. Vejo o tempo à espera do raiar solar, e me vejo de mãos abertas a clamar, pelo último que seja, o mais puro ou o mais sujo, apenas mais um gole de luar. Bebo-me e me engulo, viro lua, viro a noite, as confusões que antes pairavam sobre minhas asas de cera, hoje fazem-me voar. Sinto minha vida passar ao longe, e como a verdade que se esconde, hoje sou aquela que não se vê levitar sobre os campos floridos da honesta existência de minha dor, que apesar de tudo, ainda há de se sanar. ⁠

⁠Há um caos em minha mente fatigada, um caos regado pelo ignóbil sangue de minhas letíficas batalhas, um sangue que me arde a consciência e me entorpece as falhas, consequência direta da sepultura armada das memórias de uma guerra desalmada. Sou a combatente exaurida de meu própr…
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⁠Há um caos em minha mente fatigada, um caos regado pelo ignóbil sangue de minhas letíficas batalhas, um sangue que me arde a consciência e me entorpece as falhas, consequência direta da sepultura armada das memórias de uma guerra desalmada. Sou a combatente exaurida de meu próprio exército e a guerreira valente de meu exército inimigo, me sacrifico como sacrifica-se a pólvora dos canhões marcados de miséria pelo levantar torpe da bandeira alva machada pelo líquido rubro das vísceras de minha esperança, sou a espada que corta em dois a sanidade já rompida por dores passadas; contra-ataco a mim mesma, me atiro em minha guerra e faço de meu peito um campo minado. Nesta terra forasteira não há ser que ouse declamar possuir o título de ser mais funesto que eu, pois sou eu a morte encarnada em corpo de fracassos, sou o perder e o penar de meu próprio sepultar, sou aquela que chora e clama religiosamente antes do sol raiar, pelo corte lesivo da morte levar. Não me quero mais e não me querem mais a mim, sou a abusiva combustão dos raios de verão que esqueceu-se de se auto dilacerar, sou o fim explosivo da pacífica convivência, sou a guerreira apocalíptica que insiste em marchar contra si, para enfim, ousar descansar.

⁠Este chão não me é chão É da solidão, um labirinto De uma louca em aflito
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⁠Este chão não me é chão É da solidão, um labirinto De uma louca em aflito Que se aflige em perdição Clamo então, por redenção Por um viver distinto Em outro plano, outro recinto Que me permita a aliteração Como me falta a esperança! Como me abusa a ânsia! Nesta maldita terra de intemperança Na mazela-circunstância Deito e durmo na lembrança De ser feliz, mas à distância

⁠Sou sobrinha-neta da Ilusão, tenho marcada em meu sangue a marca amarga da ferradura agalopada do solene marchar da carruagem de meus sonhos, ébrios de tentação. Sou a cria amarga do roubo esperançoso de minhas racionalidades fatais, que enganam, deturpam e profanam a doçura ant…
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⁠Sou sobrinha-neta da Ilusão, tenho marcada em meu sangue a marca amarga da ferradura agalopada do solene marchar da carruagem de meus sonhos, ébrios de tentação. Sou a cria amarga do roubo esperançoso de minhas racionalidades fatais, que enganam, deturpam e profanam a doçura antes presente em meus sonhos. Sou o devaneio solto pelas ruas, a loucura a planar sobre os campos férteis da solidão, sou o resultado infame da mistura sórdida de meus antepassados de terra e vão. Sou tantas e de tantos, sou tato e pranto, sou cólera e acalanto, não sou nada, nada, mas ainda assim, canto. Canto as lamúrias através de pena e cetim, debruço-me sobre meu viver torpe e vomito palavras pobres em versos e prosas em carmim. Não domino a poesia, mas a poesia domina-me a mim, quebro meus pudores em mil pedaços de taco, ligo meus temores um a um em mil laços, reconstruo minhas convicções em mais mil espaços e ao final, sobrando-me apenas a dor e o cansaço, enfim me desfaço.