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Frase de Ricardo Maria Louro

⁠Alembradura - Horas convulsas da minha aldeia! Noites sem Lua, dias sem Sol, campos de flores, trigo e aveia, tantas sementes que o espaço alteia ... E um monte de estevas, ergue ao longe, na umbra, uma Terra audaz! "- Ó menino, tu não te atrevas ir sozinho a Monsaraz!" Dizia meu Avô! Dizia minha Avó! Montes e vales, rochas traiçoeiras, hortas e vinhedos, cercas perturbantes, bichos e cobras, por aí, nas eiras, onde eu andava dantes ... No Outeiro! Na minha Aldeia! Criança sem rumo, pelo orvalho, diziam meus Avós, atormentados: "- o menino não levou agasalho! ..." E quando regressava dessas voltas, sempre, de meus Avós, preocupados, escutava um ralho! E hoje, mais só, que dura saudade! Desse Tempo ... Desse Espaço ... De meu Avô ... De minha Avó ... Saudade que perdura, nessa Casa da Infância, nesta fria-alembradura ...

Ricardo Maria Louro

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Pensador.com

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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia
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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia O XANAX, é bom saberem, Faz passar, é boa ideia! Na farmácia Malagueira A Crispina ao balcão Dá XANAX p'ra cegueira A quem vem com comixão. Aos jantares de Natal Só lá vão os coitadinhos deixa estar que não faz mal Serão sempre pobrezinhos. Um XANAX, é bom saberem Faz passar a diarreia Quando as tripas te doerem Bota-a-Baixo, é boa ideia.

⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento
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⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento e quanto dói dentro da gente não saber dar tempo ao tempo! Sou como a folha caída que se perdeu do mundo inteiro sou como a flor esquecida em manhã de nevoeiro! A tristeza que me abraça dá mais voz à minha fome sou como tudo o que passa não me chamem pelo nome! Porque esse nome sem carinho foi o destino quem mo deu deixem-me Ser pelo caminho longe desse nome que é meu!

⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem
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⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem Nos espelhos do destino, É um grito sem amarras Um poema sem palavras Que vivemos no caminho. O que trago ou não trago O que canto e dou ao fado Só eu sei o quanto dói, Ver nos olhos de toda a gente O silêncio de quem sente O quanto a vida nos destrói. Visto noites e cansaços No meu corpo, nos teus braços Na distância, o teu olhar, Roda a roda do destino Acendo velas no caminho Numa pressa de te amar. Só há Fado e solidão Esta dor e um coração Nos meus olhos a bailar, E no céu da minha noite Já nem há onde me acoite Tanta estrela sem brilhar.

⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar,
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⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar, Mas essa água que me aperta Não é menos que as águas do mar. Não me lembro de existir dentro de mim Algo maior que a palavra solidão, Algo mais seco que a amargura d'um jardim Plantado junto aos portais do coração. Há uma noite enleada aos desejos de cada um, Um grito, uma metáfora de saudade, Uma vontade de comer que é jejum Que a trazemos desde o berço por piedade. E o que ser para além d'um silêncio sem destino?! Um planeta sem elipse, uma curva, Uma pedra só, pisada no caminho, Um punhal numa fonte de água pura!