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Frase de Manollo Ferreira

Um Enterro, E Um Defunto Que Nada Tem Para Se Lembrar...! !... Um defunto bem arrumado, um caixão bem modelado, flores belas e perfumadas, velas em castiçais a flamejar... Chororô, um aperto de mão, um abraço de consolação... Consternação...! ... De boca em boca, surgem versões de como o defunto morreu... Foi assim... Foi assado... Foi de morte morrida... Foi de morte matada... _ Era gente boa ! _ Era boa gente, mas... ... No agora descomedido vão da sala de estar, repousa o defunto, alheio a tudo e a todos: Aos pesares, aos choros, as preces, ao valor e modelo das vestes e do caixão, ao perfume e a beleza das flores em sua coloração, à luz e ao calor das velas em meio ao corpo falecido na escuridão... Forma-se um aglomerado, gente que entra, gente que sai, gente que junta, muita gente, sussurrando, chorando, rezando, ‘curiando’... ... O velório estende-se pela noite... Café, chá... Cachaça...! Uma fogueira surge em apelação a uma reunião para quem da noite vai velar... Um gole de cachaça aqui, outro acolá, alguém conta uma piada... Risos... Mais alguns goles aqui, outros goles acolá, mais algumas piadas a se contar... Gargalhadas !... E um defunto sozinho, no descomedido vão da sala de estar, sem ninguém a contemplar... ... Dorme a noite, esvai-se o entusiasmo, esvazia-se a fogueira em fumaça e cinzas, surge o dia, e novos personagens chegam para a próxima cena encenar. ... Castiçais vazios, flores murchas, um defunto, um caixão, mais abraços de consolação... Consternação... ! De boca em boca, surgem versões de como o defunto morreu... Foi assim... Foi assado... Foi de morte morrida... Foi de morte matada... _ Era gente boa ! _ Era boa gente, mas... ... Sai o enterro, segue o cortejo, de mão em mão é levado o caixão, rezas e choros sonorizam a tristeza, atraindo pessoas conhecidas do defunto, ou não. Seguindo em procissão, norteia-se o destino do desafortunado ao arrastar dos pés a poeira o chão. À distância, um pequeno cemitério é de se ver: Cruzes e catacumbas a se elevarem em prece. Ao chegar, pronta já é de estar, uma cova cavada, sem o uso das mãos, sete palmos medidos sem medição... De boca em boca, por mais uma vez, surgem versões de como morreu o defunto... Foi assim... Foi assado... Foi de morte morrida... Foi de morte matada... _ Era gente boa ! _ Era boa gente, mas... Um alvoroço se faz na última hora de o defunto enterrar... Era gente discutindo, era gente rezando, era gente chorando, era gente gritando, que o defunto errado estava, com a cabeça pra frente, com os pés pra trás, que dos pés se fazia a entrada, que dos pés também se fazia a saída... Era gente discutindo, era gente gritando, era gente rezando, era gente chorando, era gente enterrada, era gente enterrando, era gente morrendo, era gente vivendo... Foi-se um Enterro, E Um Defunto Que Nada Tem Para Se Lembrar.

Manollo Ferreira

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Eu Quero Um Beijo...! Eu quero agora, pra hoje, sem demora...! Eu quero um beijo suado, seco ou molhado... Eu quero um beijo desnudado de juízo, No verso do olho, reverso da alma... Eu quero um beijo sem letras nem fonemas... Eu quero um beijo no verbo...! Eu quero um beijo perdido ou achado... Sem pausas nem lacunas... Intercalado...! ! Sem precisar nada ser dito... Eu quero um beijo que fale a minha língua...! Eu quero um beijo calado, no grito...! Eu quero um beijo no ato, de fato... Eu quero um beijo ao gosto do desejo... Eu quero um beijo seja como for... Sem compromisso ou com amor...! Eu quero agora, pra hoje, sem demora...! Eu quero um beijo...!!!

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