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Frase de tadeumemoria

Eu sou a poesia... O sol? O que é o sol; o sol está tão distante... A lua, as estrelas, a chuva, o vento, a tempestade.. Quatro paredes e um teto e você sai incólume Mas a poesia... quem te protegerá da poesia... quem te protegerá de ideologias patrióticas e tiranos A bomba explodiu, uma das torres da mesquita ruiu Velhos, mulheres e crianças entre as vítimas Bagdah era um caos, mas ainda havia esperança... O ar contaminado, o vento empoeirado o horizonte fumaçado e translúcido... um soldado metralhando o seu próprio medo recebe um proj´etil na cabeça esse é o meu verso, um poema macabro Eu sou a poesia... mas bem aventurado os que têm sede de justiça... bem aventurado os mansos... eu sou a poesia era um poema da namorada no bolsinho da algibeira, uma lembrança cabreira de um recruta tímido sem a ideologia de morrer pela pátria eu sou a poesia: um fuzil na destra, uma granada na esquerda, o inimigo: qualquer movimento suspeito e o que afrontasse a nossa ideologia Bagdah era um inferno; mulheres e velhos prostrados clamando por Allah... o odor insuportável de cadáveres putrefatos, gente ferida, gente agonizando... e até ao final dos meus dezessete anos caminhando entre as rosas e as samambaias do jardim da minha casa eu pensava que era poeta, mas a namorada já dizia que eu era a poesia...

tadeumemoria

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Pensador.com

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ainda não inventaram as palavras que definam a essência de ser mãe
Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma,
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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...

REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal

JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...