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Frase de Oswaldo de Camargo

Rumo Às vezes ergo os olhos, interrogo o seco céu sem urubu, sem nódoa de nuvem: Deus, que queres? Que eu me atropele com minha própria sombra, que embranqueça meu dorso e voe?

Oswaldo de Camargo

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com | Fonte: O estranho. São Paulo: Roswitha Kempf Editores, 1984. | Nota de autoria: A autoria desta frase foi verificada pelo Pensador.com.

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Outras frases de Oswaldo de Camargo

Escolha Eu tenho a alma voando no encalço de uma ave cega:
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Escolha Eu tenho a alma voando no encalço de uma ave cega: se escolho rumo do escuro me apoio à sombra do muro pousado na minha testa. Se elejo o rumo da alvura falseio os passos da vida e me descubro gritando um grito que não é meu. Que faço das mãos cobertas de um sol doído só de África? E do tantã nestas veias, turbando o ritmo ao sangue? Na face o dia não pousa o seu cesto de alegria e a manhã precipita ventos e noites amargas.

Meu grito Meu grito é estertor de um rio convulso… Do Nilo, ah, do Nilo é o meu grito…
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Meu grito Meu grito é estertor de um rio convulso… Do Nilo, ah, do Nilo é o meu grito… E o que me dói é fruto das raízes, ai, cruas cicatrizes!, das bruscas florestas da terra africana! Meu grito é um espasmo que me esmaga, há um punhal vibrando em mim, rasgando meu pobre coração que hesita entre erguer ou calar a voz aflita: Ó Africa! Ó África! Meu grito é sem cor, é um grito seco, é verdadeiro e triste… Meu deus, porque é que existo sem mensagem, a não ser essa voz que me constrange, sem ecos, sem lineios, desabrida? Senhor! Jesus! Cristo! Por que é que grito?

Em maio Já não há mais razão para chamar as lembranças e mostrá-las ao povo em maio.
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Em maio Já não há mais razão para chamar as lembranças e mostrá-las ao povo em maio. Em maio sopram ventos desatados por mãos de mando, turvam o sentido do que sonhamos. Em maio uma tal senhora Liberdade se alvoroça e desce às praças das bocas entreabertas e começa: "Outrora, nas senzalas, os senhores..." Mas a Liberdade que desce à praça nos meados de maio, pedindo rumores, é uma senhora esquálida, seca, desvalida, e nada sabe de nossa vida. A Liberdade que sei é uma menina sem jeito, vem montada no ombro dos moleques ou se esconde no peito, em fogo, dos que jamais irão à praça. Na praça estão os fracos, os velhos, os decadentes e seu grito: "Ó bendita Liberdade!" E ela sorri e se orgulha, de verdade, do muito que tem feito!