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Frase de Verônica Miyake

AZAR Ainda que ter saúde me conforte, Pouca coisa eu teria como azar. Não me seria azar estar com a morte, Pois muita dor poderia amenizar... Mas muito considero como sorte, Como ter boa educação, um lar, Estrutura, dignidade e suporte... Qualquer muro onde eu possa escalar. Pois se fala em lutar pela vida, Mas isso é a mentira mais vil: Com que arma o pobre enfrenta a lida? Esta pátria não é assim tão gentil Para quem já tem a luta perdida: Azar é nascer pobre - e no Brasil!

Verônica Miyake

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Pensador.com

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TROCANDO OLHARES Meus olhos te olharam Sorriram, brilharam,
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TROCANDO OLHARES Meus olhos te olharam Sorriram, brilharam, Brincaram de ver Além das imagens Que pintam teu ser... Melhor sem falar: Palavras no ar São folhas ao vento, Do galho desprendem Sem cor nem alento. As falas não cabem Se os olhos já sabem. Assim, só te viram Guardaram teu rosto E se despediram.

*** DESGASTE *** As coisas mais bonitas foram ditas Na paz e na leveza d’um começo…
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*** DESGASTE *** As coisas mais bonitas foram ditas Na paz e na leveza d’um começo… Por que vivemos hoje sem apreço, Nas horas que não mais são infinitas? Nenhum poema mais tu me recitas Pudera, se anoiteces, amanheço… Quem sabe seja este nosso preço, Pelas palavras, hoje, tão restritas? Eu só vi cinzas quando amanheceu, O mesmo sol, sem ter qualquer valor, Teus passos com os meus, aonde for… Do que será que a gente se esqueceu? Não bastou ser eu tua e seres meu… Não foi regada a flor, que é o amor.

PALAVRAS Elas se perdem no ar, Evaporam-se no espaço,
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PALAVRAS Elas se perdem no ar, Evaporam-se no espaço, E tendo ouvidos de aço, Podem p'ra sempre ecoar... Não voltam, isso é certo, Mas têm tamanho poder De fazer ou desfazer, Afastar ou trazer perto. E há quem as faz refém Fazendo tudo promessa, Também quem as arremessa Feito pedras, contra alguém. E não se pode guardá-las Porque quem fala se esquece, Nem todo querer é prece. Talvez por isso, te calas...

PEDRA Pelos dias que passaram, Pelos que passam em vão,
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PEDRA Pelos dias que passaram, Pelos que passam em vão, Pelas pessoas que ficam, Por aquelas que se vão, Pelo tempo que voou Entre os dedos destas mãos, Pelo que me magoou, Pela vida, pelos “nãos”, Pelos sonhos destruídos, Pelos que nem asas têm… Pela voz, pelos ruídos, Pela fé que me mantém, Os segundos se demoram E o choro já não vem… Bem sei que pedras não choram. Inda quero florescer Numa outra estação… Deus, não deixe endurecer O meu frágil coração!