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Frase de José Carlos Limeira

Continuo andando naquele carro velho Que cruza com total insensatez a cidade Vem da Liberdade e vai até o que ultimamente penso de liberdade Aquela de poder sentir novos versos ebulindo Em antigas Antígonas, segundo Mário, antigonas Ou meu andar caricato e trágico Carrego pesos como o Fausto, não o do Goethe, o daqui Só que os meus não me dão velocidade Como erros, meus pesos, não estão a serviço dos acertos Lido com a dor sem domesticá-la Apenas não sou por ela aniquilado Pois primitivo me privo de ser íntimo de deuses e tebanos Mas sem a ilusão é impossível atuar, como dizem E não sou belo, O trágico, também dizem, é alegre Apenas caminho com essa solidão sem espelho Em seu todo perfeita, plena, repleta de erros, pesos, e acertos E sonho este desejo insano de completude Molhado de sêmen e risco Pela insônia das horas

José Carlos Limeira

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Pensador.com

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Outras frases de José Carlos Limeira

Para confundir tudo para Cássia Lopes por todas as palavras Trago no bolso uma moeda para Exu
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Para confundir tudo para Cássia Lopes por todas as palavras Trago no bolso uma moeda para Exu Para que fazendo seu papel não me corte dedos Pois deles preciso para o corte das oferendas, sangue e verossimilhanças Como as aves que se recolhem ao crepúsculo Enquanto crianças tombam nas encostas, esquinas e becos. Laroiê! Saúdo seu lugar tempo e presença O uso da graça, do riso, tua gargalhada Própria para remissão do medo Atrevimento além de tudo que está impresso E que se revela drama e como tal afia bordas metafóricas de papéis Que enorme falta papéis: cortar os dedos gentis da musa Cássia E esses doem, ao doer, fazem com que ela diga do silêncio das sepulturas Do Cementerio de la Recoleta onde moram Adolfo Bioy Casares, Bartolomé Mitre Eva Perón, e outros de alta casta. La Recoleta evita certas presenças Negros lá não têm o sono eterno, não lhes cabe E tu Exu estando acima de ódios ou vinganças Deves ter levado os teus nas asas dos condores quiçá abutres gigantes Ao universo verso da imortalidade... Todos os mitos, caráter, elocução, pensamento, espetáculo e melopéia Sinos silêncio, Luz e Ação E meu momento, receptáculo do mais descrente amém à dolorida verdade.

O poder do poema Um poema pode surgir silente, insolente, trôpego, carente, somente semente Como o canto que só no recolhimento se ouve, ao toque seguro e forte
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O poder do poema Um poema pode surgir silente, insolente, trôpego, carente, somente semente Como o canto que só no recolhimento se ouve, ao toque seguro e forte Que só o alabê mais velho sabe Ou o eco que da voz da mulher de Aleduma ecoa Ou o encanto da manhã mais terna Quando o sol banha manso e surpreso as areias de uma praia distante, bem distante... Um poema quando quer surge de onde quer Veste a fatiota de um baile antigo, ou o abadá do bloco de reggae E sem perigo segue Sem amarras, pois cordas não lhe servem para as danças das yaôs vestais e marés Somente meneios doces e vindos dos pés Um poema consome o tempo da espera e pode durar um minuto, um século ou uma era Pode despir-se do sorriso desta tarde e inaugurar outro silêncio na aurora Pode ainda ser cúmplice de um festim posto a contragosto Dos miseráveis vestidos todos de ternos e gravatas contando bravatas ao oco do mundo Um poema vai fundo, pode estar imundo, mas dando respostas aos insurretos, ou a outros que se rotulam ou se julgam donos dos becos,vielas e guetos Um poema pode e deve ser a resposta de quem gosta ou não gosta do que diz alguém Um só poema vale mais que cem, pretexto para cena é tema Desarticula o inusitado do verso curso diverso, afluente da estrofe, desabafo, dilema Ou erro confesso, não sabe o próprio endereço, para desaguar conjunto, Verbo, promessa e apreço no oceano pretenso do completo sentimento Que possuo e mereço.

Preferências Para Nelson Gonçalves Maca* Acho o Machado porreta
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Preferências Para Nelson Gonçalves Maca* Acho o Machado porreta Tanto quanto o Barreto Assis está para Lima Quanto o enredo e a vida Usam os dois como estetas São também compatíveis De modo natural D2 , Cartola, BuleBule Bezerra, Djavan e Mano Brown Nunca recuse o conhecimento Não adiantaria o som do clássico Se omitida a voz do gueto A alma humana, alegre ou trágica Ergue-se, acima dos preconceitos Quero ligar, ouvir e ver Quilombo Vivo, Blackitude Maestros e ÊMeCis Afrogueto, Quilombola Testemunhas, Chopin Buarque e Elemento X Ogãs, makotas e pierrots Hera Negra Os meninos do CRIA Pois em tudo mora a arte Em todos vive a poesia Viajo na batida Libertária, confidente Na denúncia da violência Do policial demente Gosto da espera vertida em versos Ou o olho vivo que espreita Quilombo armado de rima Lanças, línguas e canetas Espetando de todos os jeitos As goelas dos racistas, elitistas Pretensamente perfeitos A perfeição pode ser métrica Mas o poema da vida Nunca se deu só por ela Feliz ou satisfeito A perfeição é um A U com rolê Ou o passo da passista Um Stradivarius, Monet Transformando agonia e fome Em arte pura e sem nome Que brota da pedra e da pista Dos fatos, do incidente Da criação, do artista Rima, peleja, repente Cantador ou DJ, nesta fita Daí certas preferências Que alimento, como revide Desaforo posto no verso Como nos versos do Thaíde Ou de outros repentistas Profetas de toda coragem Carregando pelo mundo Caminho novo e viagem Fazendo de modo correto Ensinamento e mensagem E outros atrevidos, sagrados Estrelas brilhando no dia Como meu mestre Maca Língua qual gume de faca Entendendo toda poesia De Homero ao quilombola Juno Vencendo os estereótipos Reeducando a academia

ESTAÇÕES INTERNAS Estou contando com a primavera.
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ESTAÇÕES INTERNAS Estou contando com a primavera. Ultimamente não tem havido flores Dentro de mim; Tenho andado meio chuvoso, Horizontes nublados, embora tempestuosos São frios, frios. Hoje de manhã não abri a janela Saí de surpresa, E de surpresa vi o dia Estava lindo. E fiquei sem vontade De mudar minha meteorologia interior Decididamente vou romper com este inverno, Estou muito úmido por dentro. E para tanto, receita simples, Vou com o vento comer, devorar, Um raio, um raio de sol.