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Frase de tadeumemoria

BANAL Daqui a alguns instantes, Ao som da tua voz ou do teu sorriso, Ao som do teu pranto... Ao som do teu silencio, Vou te contar Como se fosse a coisa mais banal... Sem que você perceba toda esta ansiedade, Que fervilha nas minhas veias... Daí então andorinhas farão tantos verões... Quantas manhãs relutarão Com seus raios dourados A se entregarem calmas, fagueiras Às tardes silenciosas e preguiçosas, Até que você perceba a dimensão exata, Então algum dia depois de todas andorinhas E todos verões, numa manhã ensolarada Ou numa tarde quase noite, cinzenta, Fria e monótona de algum inverno, Admirando o orvalhar nas plantas, Sob uma neblina fria e constante O olhar perdido na luz tênue De alguma estrela teimosa, Entre nuvens grafites, Ouvindo a voz assustadora da realidade, Dando-te a dimensão exata Do daqui a alguns instantes... Daqui a alguns instantes... Nesse esvair-se... Nesse dissolver-se... Nesse descompor-se... De uma forma assim inapelável e quase imperceptível.. Como açúcar na água ou como sal. Como se fosse a coisa mais banal... Você percebe que as tulipas murcharam E que as auroras se foram...

tadeumemoria

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Pensador.com

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ainda não inventaram as palavras que definam a essência de ser mãe
Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma,
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Você não sabe que depois vem outro dia Com outras paisagens e outros ocasos, A vida é transitória e o nosso orgulho pune a alma, Depois vem outro dia com outras necessidades Uma sensibilidade maior vai te fazer perceber O que verdadeiramente é belo O que verdadeiramente soa bem aos ouvidos; Nesse tempo o grasnar das gralhas vai ferir teus tímpanos E a primavera de cigarras e pardais vai estar bem distante...

REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas
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REVOADAS Há um segundo atras O rio era outro, outras águas Eu teria uma vida mais longa... Há cinco segundos atras Eu era mais jovem quinze segundos Somando-se dez segundos Que eu levei pra escrever esta frase Há dez minutos eu tento falar Que o tempo passa E implacavelmente deixa suas marcas... Há quanto tempo tento falar desse enigma Outros olhares, outras palavras, outros rios E o rio passa em mim há quantos séculos Outras palavras não explicaram Ou não foram compreendidas E o tempo tingiu nossas cãs Um dia nos erguemos sobre nossos membros inferiores E pensávamos que sabíamos de tudo Mas o tempo muda as paisagens Verga nossas espinhas e embaça os horizontes Mas nós poetas escrevemos E libertamos pássaros em revoadas E nesse bater de asas divino De editar sentimentos, alguma coisa muda E navegamos incólumes às vicissitudes naturais O individuo perece mas o poeta é imortal

JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava
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JOSEFA Josefa matou o cachorro porque latia muito Matou o gato porque miava A galinha porque cacarejava, Matou o avô de quem não gostava muito A avó porque reclamou do suco O tio porque era um vadio A tia porque criava cutias Josefa matou o vizinho porque não dava bom dia Matou seu Mané no boteco Porque botava boneco quando bebia Josefa matou o carteiro porque não dava notícias Josefa matou a enteada Porque falava no ex-marido O finado morreu de um pirão que comeu Seu segundo marido comeu baião e nunca mais acordou Seu último companheiro morreu de martelada Desconfiado não queria comer nada... Hoje Josefa paraplégica na cadeira de roda sob a sombra do oitizeiro Rever todos os que partiram Sabe que morreu faz tempo Mas o tempo não quer saber de Josefa...