Frase de Evan do carmo
Fragmento de Alguém Não há começo. Há restos. O que ficou depois que a vida passou e os olhos ficaram presos à janela. Não é nome o que se carrega, mas marcas — de amores que queimaram antes de aquecer, de palavras ditas tarde demais, de silêncios que falaram por nós. Já se imaginou inteiro, quando a juventude ainda ardia e alguém dizia que o tempo era um engano e amar, uma vertigem sem rede. Depois, aprendeu a ternura dos gestos mínimos. O chá servido com mãos que tremem, a música baixa que cobre a ausência, o toque que não exige, mas ampara. Não se busca memória. Busca-se não sumir. Não se deseja contar, mas apenas soprar os cacos de quem ainda respira entre ruínas. Não se sabe terminar. Nem os versos. Nem os dias. Nem a si.
No pensador.ai desde