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Frase de Javier Paquito Herrera

LUNA Ainda lembro Lembro das malas carregadas, embarcadas e seu roçar. Lembro dos rostos em máscaras do esconder o sentir para não piorar. Lembro dos degraus que arremessavam o corredor e os lugares. Lembro do vidro que já dividia o lá e o cá, transparência física da despedida. Lembro do ronco do ônibus saindo, dos bancos reclinando. Lembro do fungar embaçado. Lembro dos acenos, como se fossem mãos a querer se tocar na distância cada vez mais desfocada. Era o destino vindo, indo. Lembro principalmente da Lua A Lua que acompanhava na noite viajada, rodada na calada estrada. De Montevideo para um novo Porto, alegre Brasil. Não conseguia dormir, então... a Lua, lá estava como que entendendo que precisávamos levá-la, pelo menos ela não ser só uma lembrança. Nove anos já passavam e não entendia como ela, a Lua, podia correr tão rápido quanto aquele ônibus. Por detrás das árvores e nuvens, ela vinha junto, parecia fazer graça, parecia que não andava, brincava de correr sem se cansar. Fez grande parte da viagem junto comigo, atravessou fronteiras, limites que o homem determina, sem precisar se registrar adentrou um novo sotaque e aqui também aportou. Aquela Lua, aquela ainda aqui está. Na verdade, ela sempre esteve, assim como cada coisa, ela está no seu lugar, como tudo. Ela veio “embagajada”, nós ficamos, nos mudamos e continuamos feito Lua. Ainda lembro.

Javier Paquito Herrera

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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