Frase de Oliveira Silveira
Sou Sou a palavra cacimba pra sede de todo mundo e tenho assim minha alma: água limpa e céu no fundo. Já fui remo, fui enxada e pedra de construção; trilho de estrada-de-ferro, lavoura, semente, grão. Já fui a palavra canga, sou hoje a palavra basta. E vou refugando a manga num atropelo de aspa. Meu canto é faca de charque voltada contra o feitor, dizendo que minha carne não é de nenhum senhor. Sou o samba das escolas em todos os carnavais. Sou o samba da cidade e lá dos confins rurais. Sou quicumbi e Moçambique no compasso do tambor. Sou um toque de batuque em casa gege-nagô. Sou a bombacha de santo, sou o churrasco de Ogum. Entre os filhos desta terra naturalmente sou um. Sou o trabalho e a luta, suor e sangue de quem nas entranhas desta terra nutre raízes também.
No pensador.ai desde