Frase de Antonio Montes
DEPORTAÇÃO Eu vou me candidatar! É... E se eu ganhar... Não vou aceitar imigrantes clandestinos, zanzando por aqui, no meu lugar. Se eu ganhar... Mandarei expulsar, as areias e as pedras as chuvas, que cruzam as fronteiras, todos os dias... As enxurrada as encosta dos morros o temporal com trovoadas os relâmpagos, os degelos, e também as labaredas dos fogos. É... Eu vou me candidatar, e se eu ganhar... As águas dos oceanos, que fiquem por lá não quero leito de rios, cruzando p'ro lado de cá. Não quero, voar de águia imigrando ou voou de falcão, peneirando no meu ar. Não quero, tempestades de chuvas de lá... Nem assopro de tufão ou ciclone, cruzando a cerca da minha nação. Se eu ganhar! Não quero lua de lá, com seu lençol de prata, prateando o lado de cá! Nem esse sol de lá... Atrevido! Olhando meu torrão tão belo, com esses seus raios amarelos, todos descabidos... Cruzando a minha fronteira sem nunca bisbilhotar. Se eu ganhar... Mandarei expulsar, as chuvas e os temporais, o anoitecer e o amanhecer que não tiverem passaporte, assim também, como os rumos do sul, e do norte. Se eu ganhar... Deportarei as estrelas de lá, esse tempo dividido, que por aqui apareceu, e essa velha estação do ano, filha de outra nação, essas religiões e os afoito de Deus. Deportarei as doenças de lá, as curas e os remédios com, essa dama da foice que nos visita pelos momentos baixos dos dias... E pelas altas horas das noites. Deportarei as modas as poesias as musicas... Deportarei as artes cênicas o humor o riso a alegria, vindos de outras terras, pousando em nossos dias. Se eu ganhar... Deportarei os pássaros e o arco-íres esse céu que também cruzou o mar, com o seu azul incrível. Antonio Montes
No pensador.ai desde