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Frase de Andrê Gazineu

Das Rheingold Vorspiel A cortina sobe para mostrar, no fundo do Reno, as três donzelas do rio que flui em língua celta. As jovens mezzo-sopranas cantam juntas. A tonalidade muda suavemente como se começa uma música inocente cuja melodia é frequentemente usada para caracterizar as donzelas do Reno por toda a obra. Alberich, um anão Nibelung, aparece de um profundo abismo e tenta seduzi-las. Impressionadas pela feiura de Alberich, as donzelas do Reno zombam de suas investidas e ele fica puto. Ele as persegue, como todo bom aglomerado estelar grego caçado por Órion, fábulas persas, Tzab-eks maias ou conversa de bar de aborígenes australianos, e tenta pegá-las pelos braços, mas elas o esquivam, o provocam e o humilham. À medida que o sol começa a subir, as donzelas elogiam o brilho dourado no topo de uma rocha próxima. Alberich pergunta o que é. As donzelas do Reno falam-lhe sobre o ouro do Reno, que o pai ordenou que guardassem: pode ser transformado num anel mágico que permitirá ao seu portador governar o mundo, no entanto, apenas por alguém que primeiro renuncia ao amor. Elas acham que não têm nada a temer do anão luxurioso, mas Alberich, amargurado pela sua zombaria, amaldiçoa o amor, pega o ouro e retorna ao seu abismo, deixando-os gritando em consternação.

Andrê Gazineu

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Pensador.com

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Arcano O tronco tortuoso tinha casca lisa que descamava em placas finíssimas Folhas delicadamente discolores formavam uma copa tímida, mas persistente Que se ornará duma frutescência única Vi flores tão solitárias florescendo em junho... No nascer do sol O cheiro da seiva vertendo no floema A umidade no ar carregado A calmaria predizendo o último dia de vida O silêncio arrebentava-se na atmosfera Irrompendo furioso no espaço conquistado Perdendo-se no lado escuro da alma vazia Demônios vestidos de sangue brincam na mata Sorrindo por uma nova estação enlevada Soprando injúrias no vento Porque é preciso morrer Porque é preciso descer ao mundo inferior pelo terceiro caminho pronunciando o nome do inominável

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Olhando pela janela, vejo o sol incidindo Derrama luz na estante, no relógio, na maçaneta Na ampla sala vazia de cor A mesa está posta Toalha branca, límpida, ingênua Pratos limpos, panos largos, pães, leite Não há ninguém à mesa Há o silêncio, o abandono, o não ser Rastros invisíveis, sombras do vácuo Tudo passa despercebido e nada é nunca lembrado É a transmutação do tempo A natureza sendo absorvida para que minha sala nunca envelheça Para que seja embriagada no meu próprio passado A pergunta involuntária sem resposta Provei à cereja ácida Provei a angústia do momento em que nasci O início, o vazio, a quitina negra do ferrão O ponto letárgico onde a alma encontra barreiras tão obscuras... E não pude seguir adiante Dissoluto no fundo da morte encontrei teu viço jovem, infantil, puro Entendi o que é a paz; essa alegria distraída de viver este sopro macio no campo Um rubor na face macilenta Um instante estúpido contigo Eu esperarei por ti na vida, na morte, na distância No delírio da febre, na tristeza do pranto nas noites frias, nas minhas pálpebras fechadas Nas águas turvas do meu sono Sufocado no escuro, enlaçado na calada Sentei-me no chão ouvindo o ruído do nada Do sangue ascórbico corroendo faminto Do coração pulsando agudo por instinto Nega-te o alimento, o sustento diário [nega-te a vida Acostuma teu nome ao sinistro obituário Roga-te a praga, converte-te em semente E da moléstia, forma-te o carpelo de um mundo inconsolável e belo, doses excessivas duma fome demente E não há mais miséria na aguardente Nem pudor nas faces coradas Os braços rasgados de cercas farpadas O grito à ânsia, o fruto à serpente