Frase de João Batista do Lago
AO MEU OUTRO AMIGO De João Batista do Lago Dize-me, tu, meu outro irmão, que não tenho isenção para defender a mata onde vivo com meu povo. Tu, meu outro irmão, que não conhece a mata para além do tapete verde da tua sala. Tu, meu outro irmão, que não entende da defesa da vida, só quer transformar a mata em vintém. Tu, meu outro irmão, que deseja tão só minha destruição, por que deseja o fim da minha nação? Tu, meu outro irmão, que do anzol não sabe a serventia, queres a morte do rio, meu alimento. Tu, meu outro irmão, que desconhece toda minha etnia, que não sabe do Tupi-guarani e do Macro-jê. Tu, meu outro irmão, conhece os Tenetehara, os Awá-guajá e os Urubu-Kaapor? Povos de língua Tupi todos são. Tu, meu outro irmão, sabe do Apaniekrá e Ramkokamekrá; dos Pukobyê, Krikati, Timbira e Krenyê? Todos são povos originários: Jê. Tu, meu outro irmão, ouviste falar dos Akroá-Gamela e Tremembés? Ainda hoje lutam por reconhecimento étnico e a demarcação de suas terras! Então, tu, meu grande irmão, toma a minha mão e vem. Vem defender a mata, vem defender a flora, vem defender a fauna. A existência, meu outro irmão, depende de nós, depende da nossa união. É o nosso legado para toda nova geração.
No pensador.ai desde