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Frase de Alessandro Teodoro

⁠Entre ser ameaçado com uma arma ou com uma bíblia, prefiro a primeira. A arma, pelo menos, não costuma fingir que está salvando a minha alma enquanto aponta para a minha liberdade. Seu recado é brutal, mas relativamente honesto: faça o que eu quero ou sofra as consequências. Não há necessidade de transformar a violência em virtude, nem a obediência em iluminação. A ameaça feita a pretexto da fé é mais sofisticada. Ela pode vir acompanhada de amor, preocupação, bons costumes, salvação, família, moral e até da promessa de que tudo aquilo é para o seu próprio bem. O perigo está justamente aí: quando a coerção aprende a falar a linguagem da virtude, torna-se muito mais difícil reconhecê-la. Não é a Bíblia que me assusta. Livros não ameaçam ninguém. Tampouco é a fé, quando vivida como escolha íntima, que merece desconfiança. O que assusta é o ser humano que transforma sua interpretação da fé em instrumento para controlar a consciência alheia. São os que a usam para se esconderem, aparecerem e se promoverem. Uma arma pode ferir o corpo. Uma certeza absoluta, quando colocada nas mãos de quem acredita ter autoridade sobre a alma dos outros, pode ferir muito mais profundamente: pode ensinar alguém a sentir culpa até por pensar por conta própria, vergonha por discordar e medo por simplesmente ser livre. Talvez por isso a primeira ameaça seja, paradoxalmente, muito mais fácil de enfrentar. Diante de uma arma, sabemos que existe violência. Diante de uma ameaça revestida de santidade, ainda precisamos atravessar a névoa das boas intenções para perceber que, por trás das palavras doces, continua existindo uma ganância de poder. E toda vez que alguém precisa subir o tom para provar que está certo, talvez o problema não esteja na falta de fé de quem escuta, mas na fragilidade da verdade de quem fala.

Alessandro Teodoro

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