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Frase de André Luiz Zanata

A Trapezista que Voou Havia em ti um ímpeto raro, um desejo insaciável de subir mais alto, de lançar o corpo e a alma aos ares, como quem nasceu para cruzar o mundo sem pedir licença ao chão. Foste trapezista da própria vida: voaste, saltaste, atravessaste oceanos, colecionaste cidades, diplomas, histórias — cada passo teu foi um risco, cada vitória, um voo certeiro. Enquanto eu te olhava, meus pés cravados na terra, tu dançavas lá no alto, livre, bela, intrépida, desenhando no ar caminhos que nunca ousei seguir. E um dia… sim, um dia, quando percebi, tinhas ido tão longe, tão além do meu alcance, que só me restou a lembrança desse espetáculo teu, desse número perfeito e irrepetível. Ainda guardo o momento, aquele instante silencioso em que percebi teu destino: não eras feita para ficar, eras feita para ir. E assim, teu nome ficou suspenso, oculto, mas vivo, gravado na memória como num truque secreto: Jamais esquecerei teu riso ao partir, Unindo coragem e sonho numa mesma bagagem, Cruzando fronteiras como quem cruza a linha tênue do trapézio, Elevando-se, sempre mais, Lançando-se ao mundo, Intensa e invencível. E eu, que te amei e ainda amo, fiquei no picadeiro vazio, aplaudindo tua liberdade, mesmo que ela tenha me levado para longe de ti. Que bom que soubeste voar, que bom que soubeste viver — mesmo que, nesse voo, eu tenha ficado para trás. Te celebro, trapezista, com alegria e com saudade, sabendo que amores como o nosso não acabam: eles apenas aprendem a aplaudir, em silêncio, o espetáculo da vida que segue.

André Luiz Zanata

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Pensador.com

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⁠Eu vou me deixar Sobrando no caos Rasgando as lembranças
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⁠Eu vou me deixar Sobrando no caos Rasgando as lembranças De noites de sóis Prazer em viver Desatando os nós Daqueles que vivem Procurando por nós Sou o todo vazio Buscando lençóis As vezes em risos As vezes sem voz Quem pode me leva Quem deve me entrega Aquilo que as vezes Nem eu mesmo sei No fundo me sinto O assunto preciso Que fecha um ciclo Mas abre um inciso Que traz um troféu Por vezes sem mel Estrela que brilha Sem paz no luar Sou a forma que mede O entorno a plainar Um dia me aprendo E vibro em frequência do mar Florada querida Abelha no ar