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Frase de Luiz Felipe Amil

⁠REPUBLICAMENTE FALANDO Moro aqui, nos confins do Brasil, O verde da bandeira aqui já sumiu O ouro amarelo, foi esgotado e pego De refém para a Europa à palo febril. O azul, a fumaça cinza consumiu, A exigida ordem e o famoso progresso De desordem à decadência persuadiu. Aqui na Amazônia o sinal veio e caiu Mas vemos a floresta sofrer o fim Índio sangue de tupi, vítima sim Das pancadas do próprio país: Brasil. A democracia em grego já nasceu torta E aqui em guarani já está morta Nos olhos felinos do valente jaguari. O charuto dos ricos é o que fecha A porta da digna e social inclusão E abre a porteira da necessidade Café com leite nem aqui, nem no Japão. Politicagem do cabresto arrebentado Vulgo política da saca de café queimado. O punho do brasileiro honesto padece. Nessa roda social somos caroços Dentro do maracujá coberto de imposto Toda tristeza que há hoje em dia Fala de uma morena linda da Bahia Santa negrinha: Caramuru jogada ao mar Coberta os olhos com a água do chorar. Referência às atuais divididas capitanias. Sem açúcar, atearam fogo no canavial, Sem peixes, botos mortos na seca fluvial A janela da solução está ficando menor Cada dia sem vento, sem orvalho pluvial O pasto, terra dura ficou muito mal O gado na porteira da várzea é de dar dó Nesse embrulho, o homem mesmo se deu um nó. E no meio dessa ressecada folhagem É cada cidadão por si Seu tapete foi puxado, virou imagem Pelo sócio que te traiu assim. E no fim do mês o salário mini miragem, Dará só para comprar um sanduíche e um guaraná tupiniquim.

Luiz Felipe Amil

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Pensador.com

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⁠ABC DO PARÁ Acerolas bem gostosas, uma pesca com avium e abacaba Beijú bem alvo da goma saborosa,
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⁠ABC DO PARÁ Acerolas bem gostosas, uma pesca com avium e abacaba Beijú bem alvo da goma saborosa, Círio de Nazaré em Belém e Conceição em Santarém Dindin ou flau de cupuaçú com bombom de castanha, Égua meu irmão, mas olha já. Farinha pura, torrada, com açaí na tigela, Garapa de buriti e cajá, Histórias do caboclo velho sobre o Curupira, Ingá maduro nas margens do rio azul, Jana Figarella e seu canto nas praias bonitas, Kiwi na salada de fruta paraense Leituras de poemas sobre o carimbó do Çairé, Mandioca no lavador se pelando, maniçoba também. Navio estrangeiro no encontro das águas, Onça miando na mata sombria de jambu e mastruz onde o cauã assobia. Pato no tucupi amarelo, com pirarucu frito Queijo branco na ilha do Marajó, Rio de bauxita em Trombetas na ribanceira pequenas casinhas Sapoti e seringa saborosos em Alter do Chão, Taperebá e tapioca, aí que delícia! O tacacá com a goma tapajoara Urucum bem vermelho para tingir o corpo Ver-o-peso com seus banhos de cheiro, com vatapá de camarão Whisky de graviola e limão Xícara quentinha de café com pupunha Yara, sua lenda e seu canto no Amazonas de reencontro, Zarabatana munduruku que assopra bem longe em Juruti.

⁠SONETO #5 SONETO DO SER AMADO Do perfume das rosas, comigo
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⁠SONETO #5 SONETO DO SER AMADO Do perfume das rosas, comigo Sinto no Olimpo dos cuidados Do zelo prazeroso imediato Do amor entre íntimo e amigo. O ato de doar tem o seu destino Debaixo dos lençóis e na rua Quem contigo não falava, vira sua. Admirador secreto vira predestino. Ser acariciado, minha alma suscita Sente a vontade de beijos carnais De longe, a distância não aguenta. Quem sabe, de paixão um pouco mais A atividade amorosa sustenta, O que o sofrer não se conquista.

⁠SONETO #3 ESTETICISTA FACIAL Moça bela, secretária me atendendo
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⁠SONETO #3 ESTETICISTA FACIAL Moça bela, secretária me atendendo Na sua mesa, logo de manhã bem cedo Antes de tudo, maquiagem completa Seu nome é Marcela bela, lábios violeta. Ninfa das plumas rosas e sutis regalias Me inspirei olhando a ti que me avalias Meus documentos, minha três por quatro Tua singularidade feito lua deixa rastro. Marcela, esmeralda desejada por Brás Cubas, luxuosa no brilho e com batom. Modelo da estética artística, que trás A arte como um soneto agudo semitom Nos azulejos da moda, fugaz nas letras Feita escansão para se admirar o bom.

⁠SONETO #4 DIAMANTE NEGRO o amor que acabou Maysa Amar é sentir bruta dor também, é partir
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⁠SONETO #4 DIAMANTE NEGRO o amor que acabou Maysa Amar é sentir bruta dor também, é partir Saber a hora certa de ficar e corresponder Amar, é sentir medo sem mesmo saber Que o breve amor das pessoas não vai vir. Ter medo do amor como nota falsa ser Infiltrado no coração, dado a persuadir O diamante negro que é levado à sorrir Mesmo quando se ferir, sairá à crescer. E é nessa boa vantagem de saber amar Que nos deliciaremos com o terno bem Que cura, desincha e mata o desatinar Que se desmancha mas açoita também Sem dó o que nem sempre é, no que dá Procurar amor em caras erradas desdém.