Frase de Amanda Suita
Instruções para Não Ser Máquina Não nos ensinem a fazer amor como quem planta trigo em solo fiscal. Não nos paguem para gerar corpos como se o útero fosse fábrica de cidadãos e não templo de escolhas silenciosas. Vocês marcam nossas noites com relógios de Estado, apagam nossas telas para que façamos o que vocês chamam de “futuro” — mas que é só mais carne para os canhões dos seus mapas. Dizem: “Tenham filhos. É seu dever.” Mas onde está o pão? Onde está o teto? Onde está o direito de olhar nos olhos de quem se ama sem pensar em bônus, em certificados, em perdão de dívidas como moeda de afeto? Amor não tem preço. Tem território: o espaço entre dois corpos que decidem, livres, sem medo, sem decreto, se querem ou não criar mundo juntos. Enquanto isso, vocês contam cadáveres e chamam de estatística. Contam berços e chamam de vitória. Mas não perguntam se há paz na casa onde a criança nasce. Nós não somos soldados do vosso inverno demográfico. Nem peões num tabuleiro de nações ansiosas. Somos gente. E gente não se programa com isenção de impostos. Deixem-nos errar. Deixem-nos esperar. Deixem-nos ficar sós sem serem julgados como desertores. Porque o verdadeiro futuro não nasce onde há dinheiro. Nasce onde há liberdade para dizer: "não hoje", "sim, mas com quem eu quiser", "Jamais, e ainda assim sou inteiro". Que nenhum governo decida por nós quando o coração deve bater mais forte. Que nenhuma lei meça o valor de um abraço pelo número de berços que ele produz. E que, um dia, as nações entendam: não precisamos de mais corpos. Precisamos de mais alma.
No pensador.ai desde