Frase de Franco Kotryk
O Livro de Receitas do Desastre Nacional! Na terra onde o cinismo se fantasia de lei, E a política tem como característica maior a corrupção, Ergue-se o templo de uma suprema corte, oh, rei! Com postos de ouro maciço, sem livre eleição. Que doce ironia, que farsante teatro nos seduz: Ministros de uma suprema corte jamais poderiam ser indicados por políticos." Mas a regra da nação, essa que a alma seduz,T ransforma o óbvio em mito, em refrões proféticos. Pois "Isso é a receita para um desastre!", brada a voz sensata, Enquanto o cozinheiro- mor sorri com o livro na mão, Cozinhando a ética em fogo brando, numa panela ingrata,Onde a verdade é tempero dispensável à nação. "Como pode?", pergunta a plebe, em coro desafinado, Que um corrupto condenado - figura vil e nefanda "e completamente ignorante e sem o mínimo de caráter" ungido, Tenha a chave do cofre, a prerrogativa que o desmanda! De "indicar comparsas para ocupar cargo de ministros da justiça. "Um circo de compadres, uma corte de escudeiros,Onde a toga, outrora símbolo, se curva à astúcia, E a lei se faz flexível aos caprichos dos celeiros. Ah, "Usar o nome justiça para o poder judiciário é um erro." Uma "eresia" na certa, um pecado de vocabulário, Pois "a 'Justiça' não faz justiça em nosso país", eu o venero, Neste palco de sombras, neste vasto e caro santuário. Ministros da justiça são funcionários públicos, eu decreto, E deveriam ser, que ultraje!, "concursandos", plebe rude e leal, Sem o beijo do poder, sem o pacto secreto, Apenas mérito frio e um currículo legal. Mas o jogo é jogado onde a luz é pouca e a névoa densa, "Em um país onde a grande maioria do povo não tem educação," E carece de faróis, de um senso, de uma recompensa, "muito menos discernimento de assuntos importantes, "E nessa lacuna da mente, nesse vazio profundo e lento, O poder se instala, a máscara cai e a farsa se desfaz, E "a ditadura domina", silenciosa em seu intento. Nas páginas dobradas que o povo, cego, jamais traz. Ahhh...Sussurras com a calma da mentira bem contada, "Aqui nunca vai ser uma ditadura!" - Que graça! Que ironia! Não... Meu caro,levante os olhos, a fogueira está acesa e guardada. "Você já está vivendo nela só ainda não sabe." É a eterna melodia. "Não se deu conta!" Que a corrente é invisível, de veludo, e o nó é sutil. E quando o sono acabar, o pesadelo se faz realidade, "E quando você abrir os olhos já é tarde." O fim é fútil. "Talvez um dia você entenda, más é improvável!" - Assino com a posteridade...
No pensador.ai desde