Frase de Evan do carmo
O Limiar No limiar, não há ventos que empurrem, nem mares que convidem ao salto. Há apenas o peso da pergunta tardia: “E se?” – um eco que se dissolve no vazio. Aqui, a alma desperta tarde demais, não para agir, mas para contemplar o que não foi. Os olhos, antes cegos pela marcha do hábito, enxergam, mas não movem os pés. É tarde para o recomeço, não porque o tempo se esgotou, mas porque o coração se aquietou no conforto áspero do mesmo lugar. Há uma estranha paz em não cruzar, em não arriscar o salto que devora o chão. Covardia ou prudência? Ou apenas a certeza silenciosa de que o homem pertence ao seu medo mais do que ao seu desejo? O limiar não pede pressa, não exige escolhas, não grita nem sussurra; ele apenas está – uma linha imóvel entre o ser e o nada. O despertar chega como uma lâmina, fina, fria, cortando o véu da ilusão. Mas a ferida não sangra coragem, apenas o conforto amargo de saber: a vida continua, mesmo no não-agir. E assim, o homem se curva, não à força da mudança, mas à aceitação de sua própria fraqueza, encontrando, no limiar, não um início, mas um fim que se alonga.
No pensador.ai desde