Frase de Juliana Umbelino
era só um amor. mas me fez esquecer onde deixei minha dignidade. não era fome. mas parei de comer. não era febre. mas tremi quando ele disse que não sabia o que sentia. eu, que sempre fui boa de ir embora, fiquei. como quem erra de propósito só pra ver até onde aguenta. abri mão do sono, da lógica, da escova de dente, do aviso que dizia “não ultrapasse”. troquei o arroz com feijão por silêncios indigestos. troquei o básico por tudo que me fazia doer mas que me fazia sentir. e eu, no fundo, prefiro o que machuca ao que não faz nada. ninguém me avisou que o amor que a gente aceita diz mais sobre o nosso vazio do que sobre o outro. ele nunca prometeu. mas também nunca foi embora. e essa presença que não assume. foi o que mais me corroeu. me deixei amar como quem se deixa atropelar devagar: primeiro a perna, depois a vergonha, por fim, a parte que ainda dizia “isso não é amor”. não é que eu não soubesse. é que eu já tinha aceitado morrer bonita na beira da estrada. Juliana Umbelino
No pensador.ai desde