Frase de Silvano Pontes
SANTA RITA: ENTRE SECAS E CHEIAS No Igarapé do Boto, quando o Sol aperta, A vida se faz pela estrada deserta. Quando o rio some, a terra é espinho E o chão seco vira o nosso caminho. Crianças vão para escola a pé, sob o Sol ardente, Mas cada passo é uma semente. Longa estrada poeirenta a percorrer, Famílias isoladas, sem água para beber. O igarapé que era "caminho de canoa" Vira leito seco, dando lugar à poeira que voa. Água suja, distância que cansa, Mas o povo da Santa Rita resiste com esperança. Ano novo, eis que o Amazonas se levanta E a felicidade na comunidade se planta. O rio acordou, a cheia chegou, A alegria das águas se derramou. Elas vão subindo, devagarzinho, Enchendo o rio, os lagos, o caminho. Volta o peixe, a fartura à mesa, O igarapé é estrada outra vez. Nas canoas, o rabeta zunindo E as crianças vão à escola sorrindo. E a terra outrora rachada, Agora dá vez às canoadas. Oh, enchente bendita! Doce e molhado abraço, Que enche o rio preenchendo o espaço. Na seca, a luta; na cheia a dança, O ciclo do rio escreve nossa esperança. Água é vida, é festa, é sorte, E assim vai vivendo esse povo do norte. Autor: Silvano Pontes. Amazonas em poesias.
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