Frase de Lua Pinkhasovna
Verborragia É nos confins das mentes silenciosas Que adormecem os verbos pungentes Inflamados por salivas raivosas São ricos em sentimentos latentes Os sons que os ouvidos guardam Reverberam pelos séculos encerrados Emergem em meio a noites nubladas E transbordam nos travesseiros As noites longínquas agonizam em meio às luzes oscilantes da lua cheia Solitária e flutuante Despede-se no raiar do dia enquanto deixa seus apaixonados carentes No embalar da melancolia Em meio aos minutos escorridos Com a cabeça latejando o vácuo O grito se torna inaudível O peito refreia todas aquelas emoções Adormecidas Mas os ouvidos inocentes Não possuem proteção contra os sentimentos penetrados E no epílogo do corpo Eles são apenas a porta de entrada das emoções Não são eles que sentem Os sons são carregados pela veias que os levam até o coração Esse quieto e dormente Sente mesmo com sua derme grossa Roupa que o veste E sua clava de ossos na frente Sua eclosão se dá para o corpo inteiro Da ponta dos dedos Percorrendo pela pele Passa pelo rosto Chega até a cabeça Assim seus circuitos são acionados Suas sinapses erram os trajetos corriqueiros Uma tropa de pensamentos de berço Voltam a sibilar raivosas na mente As letras liquidificam-se Perdem-se entre as vísceras Preenchem os espaços Até não mais caber e sair pelas chuvas torrenciais do corpo A alma não escuta, não fala, Pois quem sente é a carne Que se desmancha em gotas pela face Quando as palavras perversas, Deveras diretas, a fazem pingar.
No pensador.ai desde