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Frase de Lua Pinkhasovna

⁠Gaiola Tec tec tec bicava o poleiro o pequeno Bem-te-vi simulando ser os galhos dos pinheiros por onde vida toda a cidade Nunca esquecera aquele dia em que uma mão muito ágil olhou para si, elogiou seu canto e o levou para bem longe daquelas árvores Cada vez que recordava, era tec tec tec bica bica bica canta canta canta "Bem-te-vi, Bem-te-vi, Bem-te-vi" enganando o tempo fingindo ser um cantor e não um prisioneiro.

Lua Pinkhasovna

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Pensador.com

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Outras frases de Lua Pinkhasovna

⁠Verborragia É nos confins das mentes silenciosas Que adormecem os verbos pungentes
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⁠Verborragia É nos confins das mentes silenciosas Que adormecem os verbos pungentes Inflamados por salivas raivosas São ricos em sentimentos latentes Os sons que os ouvidos guardam Reverberam pelos séculos encerrados Emergem em meio a noites nubladas E transbordam nos travesseiros As noites longínquas agonizam em meio às luzes oscilantes da lua cheia Solitária e flutuante Despede-se no raiar do dia enquanto deixa seus apaixonados carentes No embalar da melancolia Em meio aos minutos escorridos Com a cabeça latejando o vácuo O grito se torna inaudível O peito refreia todas aquelas emoções Adormecidas Mas os ouvidos inocentes Não possuem proteção contra os sentimentos penetrados E no epílogo do corpo Eles são apenas a porta de entrada das emoções Não são eles que sentem Os sons são carregados pela veias que os levam até o coração Esse quieto e dormente Sente mesmo com sua derme grossa Roupa que o veste E sua clava de ossos na frente Sua eclosão se dá para o corpo inteiro Da ponta dos dedos Percorrendo pela pele Passa pelo rosto Chega até a cabeça Assim seus circuitos são acionados Suas sinapses erram os trajetos corriqueiros Uma tropa de pensamentos de berço Voltam a sibilar raivosas na mente As letras liquidificam-se Perdem-se entre as vísceras Preenchem os espaços Até não mais caber e sair pelas chuvas torrenciais do corpo A alma não escuta, não fala, Pois quem sente é a carne Que se desmancha em gotas pela face Quando as palavras perversas, Deveras diretas, a fazem pingar.

⁠Léxico dos Sentidos Cansei de regras Teoremas
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⁠Léxico dos Sentidos Cansei de regras Teoremas Cansei das ênclises Próclises E sempre detestei as mesóclises Querer-te-ei? Como poderia querer-te no futuro? Ter você agora seria o único presente mais que perfeito aceito pelas minhas linhas Preciso criar um novo tempo pro pretérito Um que eu possa usar em qualquer texto E sirva para todos os momentos com você Eu quero rasgar o verbo Expulsar todas as minhas hipérboles Como alforria Quero gritar interjeições Sem analogias Quero a palavra nua E sentir todos os paradoxos da minha existência saindo pela boca Não quero o uso correto do idioma Quero gaguejar Me lambuzar nos erros E delirar entre as palavras tão livres expressadas Quero cuspir palavrões Buscar o sentido pejorativo Escrever fora das linhas Rabiscar tudo escrito E quem sabe rasgar a folha Quero me libertar da minha forma humana Amar outras espécies Afiar minhas presas Usar minha prosopopeia E me transformar em quem talvez seja quem de fato sou Eu quero a sinestesia Aprender Prender A tua língua em mim E jamais usar amar no verbo oculto Eu quero abusar dos neologismos E encontrar a palavra exata que sirva como palíndromo Que mesmo que você leia de outras direções, o sentido será o mesmo Mas antes, não se esqueça de respeitar meus parágrafos Pois são eles que definem o começo das minhas histórias Então, engula minhas reticências Não pause nas vírgulas Saboreie cada silêncio E você estará sentido o verdadeiro gosto do meu léxico E o que vem depois serão palavras sinceras sem pontos finais.

Fruto Proibido A carne adocicada da fruta-pele desliza ao céu da boca
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Fruto Proibido A carne adocicada da fruta-pele desliza ao céu da boca amaciando a fome com seu gume tirando lascas da língua inocente de sua safra chega ao estômago mostrando ter apenas sabor idêntico, e num simples deslizar sorrateiro de garganta se desfaz de suas cascas de alimento revelando ser fruto proibido pronto pra saciar a vida do degustador sedento pelo seu sumo.