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Frase de Andrê Gazineu

Um aprendiz devoto sempre tentava se tornar próximo ao seu mestre que dizia, “não, não. Agora não.” A piedade era tanta que o mestre cansou de dizer, “porra! Agora não!” e apenas acenava com as mãos indicando estar ocupado. O aprendiz pensou por noites. Meditou. Se concentrou em si. Ponderou. Absorveu-se. Por anos, o mestre apenas acenava. O aprendiz, tornado mais basto, se aproximou do mestre por uma última vez. O mestre fechou os olhos e disse, “sou ruim propositalmente. Afasto os que possam me gostar.” Sentou-se fumando um Cohiba Behike e disse ao aprendiz, “sou como uma casca de árvore velha. Você quebrou meu silêncio. Qualquer coisa que eu possa falar será produto do que eu-acho-que-as-coisas-são. Meu reflexo só reflete em outrem.” “Mestre.” “Sim.” “Durante todos esses anos de silêncio, eu finalmente aprendi uma coisa.” “É?” “Meia dose de armagnac, uma dose de creme de leite natural, cacau e noz-moscada. Agitar com gelo.”

Andrê Gazineu

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Pensador.com

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Arcano O tronco tortuoso tinha casca lisa que descamava em placas finíssimas Folhas delicadamente discolores formavam uma copa tímida, mas persistente Que se ornará duma frutescência única Vi flores tão solitárias florescendo em junho... No nascer do sol O cheiro da seiva vertendo no floema A umidade no ar carregado A calmaria predizendo o último dia de vida O silêncio arrebentava-se na atmosfera Irrompendo furioso no espaço conquistado Perdendo-se no lado escuro da alma vazia Demônios vestidos de sangue brincam na mata Sorrindo por uma nova estação enlevada Soprando injúrias no vento Porque é preciso morrer Porque é preciso descer ao mundo inferior pelo terceiro caminho pronunciando o nome do inominável

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Olhando pela janela, vejo o sol incidindo Derrama luz na estante, no relógio, na maçaneta Na ampla sala vazia de cor A mesa está posta Toalha branca, límpida, ingênua Pratos limpos, panos largos, pães, leite Não há ninguém à mesa Há o silêncio, o abandono, o não ser Rastros invisíveis, sombras do vácuo Tudo passa despercebido e nada é nunca lembrado É a transmutação do tempo A natureza sendo absorvida para que minha sala nunca envelheça Para que seja embriagada no meu próprio passado A pergunta involuntária sem resposta Provei à cereja ácida Provei a angústia do momento em que nasci O início, o vazio, a quitina negra do ferrão O ponto letárgico onde a alma encontra barreiras tão obscuras... E não pude seguir adiante Dissoluto no fundo da morte encontrei teu viço jovem, infantil, puro Entendi o que é a paz; essa alegria distraída de viver este sopro macio no campo Um rubor na face macilenta Um instante estúpido contigo Eu esperarei por ti na vida, na morte, na distância No delírio da febre, na tristeza do pranto nas noites frias, nas minhas pálpebras fechadas Nas águas turvas do meu sono Sufocado no escuro, enlaçado na calada Sentei-me no chão ouvindo o ruído do nada Do sangue ascórbico corroendo faminto Do coração pulsando agudo por instinto Nega-te o alimento, o sustento diário [nega-te a vida Acostuma teu nome ao sinistro obituário Roga-te a praga, converte-te em semente E da moléstia, forma-te o carpelo de um mundo inconsolável e belo, doses excessivas duma fome demente E não há mais miséria na aguardente Nem pudor nas faces coradas Os braços rasgados de cercas farpadas O grito à ânsia, o fruto à serpente