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Frase de Sidiney Breguêdo

A LÍNGUA vamos maltratar esta língua. Vamos começar a frase com O pronome oblíquo, Pontuar as letras com cocô de rato. Vamos descumprir todos os tratos. Precisamos ignorar a norma culta, comer sem descascar essa fruta, Porque assim, de fato, Vamos nos alimentar. Vamos esquecer os pontos, as vírgulas, Vamos cortar à mão mesmo, Sem tesoura. Devemos fazer algo que não seja Tão reto... Vamos esquecer o correto. Vamos assassinar a professora Que chamávamos de tia. Escola da ditadura Não pode ditar a nossa cultura. Vamos fazer o texto sem Assinatura. Letras podres ou maduras, Que importa?! Nossa língua, A do povo, Já está toda torta. Essa é a nossa lei e o nosso lugar! Vamos falar tupi com sotaque nordestino, Isso vai soar bonito Como o som de um violino No ouvido europeu. Vamos ignorar o tempo e o verbo. Vamos retirar do vovô o chapéu. Vamos chamar mundo de mundéu E mundano de soberano. Ao poder com o povo, Porque o único poder que conheço É o da língua.

Sidiney Breguêdo

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Desprezar o poder que existe nas mãos de homens sem expressão, pequenos homens, como servidores públicos, policiais, pais, ou mesmo presidiários, ignorando a microfísica do poder, certamente é a forma mais fácil de deixar o país cair em desgraça, já que este poder aparentemente microscópico invade a casa dos homens mais simples.

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Os operários passam o dia no trabalho, trabalho pesado, e quando chegam em casa vão ver novela e aguardam na mão o prato de comida, antes de irem para cama dormir. Mas o intelectual não, este não desliga, nem mesmo depois do trabalho. É no correr da longa noite que repassa suas idéias mais preciosas. Veja um homem com grandes olheiras e saiba: ali tem um intelectual.