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Frase de GabrieldeArruda

Não sei exatamente quando tudo terminou. Talvez as coisas importantes nunca terminem de uma vez. Apenas vão deixando de poder existir. Durante muito tempo pensei que amar fosse permanecer. Hoje suspeito que, em certos casos, permanecer é apenas outra maneira de consentir com a própria destruição. Eu não queria partir. Se ainda houvesse alguma forma honesta de continuar ao seu lado, eu teria aceitado qualquer sofrimento. O que não pude aceitar foi outra coisa. Fui embora porque permanecer significaria obrigar o meu amor a conviver com a própria humilhação. Ela levou quase tudo, e era inevitável que levasse. Quem ama não entrega apenas o que possui. Entrega também aquilo que imaginava ser. Ainda assim, uma coisa permaneceu comigo. O amor. Não o amor que tinha por ela. Esse continuou pertencendo-lhe por muito tempo. Talvez pertença ainda. Refiro-me a outra coisa. O que preservei foi algo mais difícil de perder e mais difícil ainda de salvar. A capacidade de amar sem renunciar à minha dignidade. Porque o desrespeito raramente mata o amor. Antes, tenta convencê-lo de que a humilhação é o preço da permanência. Recusei esse preço. Desde então, penso que algumas perdas não nos empobrecem. Apenas nos impedem de nos tornarmos estranhos àquilo que existe de mais verdadeiro em nós. Perder quem se ama dilacera o coração. Perder a si mesmo para conservá-la corrói a consciência. E desta última ferida, quando não se morre, quase nunca se volta sendo o mesmo.

GabrieldeArruda

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Santo Deus, por que me abandonaste? Que atrocidade é essa, essa tortura insuportável que me arrasta para o abismo? Não temo o inferno, não! Já sou um com ele, já o sinto queimando minhas entranhas, corroendo-me até o último suspiro! A desesperança me devora como um monstro famint…
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Santo Deus, por que me abandonaste? Que atrocidade é essa, essa tortura insuportável que me arrasta para o abismo? Não temo o inferno, não! Já sou um com ele, já o sinto queimando minhas entranhas, corroendo-me até o último suspiro! A desesperança me devora como um monstro faminto, e a solidão, fria e implacável, me arrasta para o fundo, sem piedade, sem fim.

Herança maldita de uma alma colonizada, o brasileiro, filho do latifúndio cultural, trocou o libré do barão, que fingia a classe francesa no salão de visitas, pelo jeans rotoso do cowboy ianque na tela do celular. Se antes ele engoliu, sem digerir, o luxo de Versalhes, hoje mast…
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Herança maldita de uma alma colonizada, o brasileiro, filho do latifúndio cultural, trocou o libré do barão, que fingia a classe francesa no salão de visitas, pelo jeans rotoso do cowboy ianque na tela do celular. Se antes ele engoliu, sem digerir, o luxo de Versalhes, hoje mastiga, sem paladar, o fast-food de Hollywood. Nesse pandareco tropical, onde a identidade é falsa e vestida como fantasia de outlet, onde o samba de raiz é embalado em plástico-bolha digital pra ser entregue como experiência cultural, e o forró virou trilha sonora de app de delivery, tudo é branding, tudo é pitch, tudo é mindset. O gerente se chama leader, o chefe virou head, e até o cafezinho foi promovido a coffee break. Em vez de ideias, fazem brainstorm. É tanta sigla em inglês que o trabalhador já esqueceu como se pede um aumento em português. E nesse co-working de muros baixos e inglês improvisado, confunde-se exploração com oportunidade, e subordinação com sofisticação.