Frase de Antonio Montes
FLORES DE OZÔNIO Com a chuva da língua sumida a plantação de palavras, não arriba, e esse sol ardente em chamas, inflama ... Pelos cumes dos arrebóis, pelas sementes da vida, pela enxurradas que carregam as lamas. O poeta deixa de colher suas flores de cores vivas, meigas queridas... e perdeu a hora do alvorecer da criação, atualmente tem sido, tingido pelas sombras e sobre o escuro do seu desengano nem uma pétala sobre as flores caídas tem voado no jardim do seu triste coração. Todavia a ampulheta do imaginar quebrou-se e as areias, do seu tempo, esvoaçou ao ar e sobre o vento impiedoso do deserto o poeta perdeu-se nas margens do seu amar. Assim como um passe de mágica deixou de encher suas sesta de meiguice e com ramalhetes que todavia te fez feliz... Perdeu as flores pelo caminho da fosca visão as quais deram vida ao tilintar da vida e hoje, trocadas pela modernidade estão sobre os jardins dos sonhos, esquecidas. Com a sequidão dos sentimentos, o poeta não é capaz de sentir o gosto do riso, e sob o rosto de um meigo menino, não sente o piscar feliz da bela mulher nem tão pouco vê o arco-íres esbanjando suas cores sobre as nuvens... Agora o pesadelo flutua em seu sonho não consegue colher ilusões nem embarcar na canoa das fantasias. É meu poeta... Abra o diafragma para alegria abrace a simplicidade e siga com suas braçadas pelos oceanos dos sonhos, assim quem sabe, a chuva cairá e você voltará a colher suas flores... Nas retinas do seu ameaçado ozônio. Antonio Montes
No pensador.ai desde