Frase de Douglas Rodrigues da Silva
No sertão urbano mais uma criança chora de fome, que já perdura por uma semana. A sociedade segue indiferente. Silêncio das horas mais agudas da noite. A desigualdade faz vítimas inocentes. A periferia alimenta rostos sem formas, gentes sem nome. Mas outras crianças, gulosas e inconscientes se empanturram descontraidamente. A alegria burguesa contrasta com a tristeza dos olhos cinzentos e das bocas sem vozes da vizinhança. O choro desperta o condomínio. Nasceu mais um João que ninguém esperava. Mais um no meio dessa multidão, que calada, ordinariamente vive. Mais um sem esperança.
No pensador.ai desde