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Frase de Roberval Pedro Culpi

Da Janela no sertão Da minha janela vejo a chuva, e ela cai como se fosse choro do céu. Mas não, não é tristeza não: é só o sertão do mundo molhando sua pele, pra lembrar que até a pedra dura se rende à água mansa. O tempo corre lá fora, feito cavalo brabo, ora levantando poeira nos ventos, ora abrindo o peito pro sol quente da vida. Dias e noites se alternam, como se Deus brincasse de fiar luz e sombra na roca invisível da eternidade. Eu fico aqui, de dentro, vendo árvore nascer, perder folha, morrer e ressuscitar no mesmo tronco. É como se cada galho fosse profeta dizendo que nada se perde: só muda de roupa, feito romeiro no caminho. E aprendo que o tempo não mora em mim, mora lá fora, correndo nas águas, cantando nos ventos, ardendo no sol. Dentro de mim só tem o silêncio, um silêncio grande, onde o instante fica parado — feito retrato da alma, feito milagre da vida. Roberval Pedro Culpi 26/08/2025

Roberval Pedro Culpi

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Pensador.com

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Desilusão A vida caminha em desilusão, como quem desfolha uma rosa
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Desilusão A vida caminha em desilusão, como quem desfolha uma rosa até restar apenas o espinho. Quanto mais fundo se vê, mais se percebe a dor oculta nas promessas, a farsa que sustenta a esperança dos tolos. Não é o mundo que se torna pior, é o olhar que já não aceita véus, a mente que não consente em fingir que não sabe. A consciência pesa, um fardo invisível que poucos suportam. Os fracos se tornam cínicos, os fortes aprendem a silenciar. Pois tudo passa, tudo é sombra em movimento. O apego envenena, a máscara sufoca, e apenas no silêncio há abrigo, como um sopro leve que não promete nada, mas consola. Roberval Pedro Culpi 27/08/2025

Fardo invisível A vida, lenta, vai despindo véus, cada saber arranca uma cortina,
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Fardo invisível A vida, lenta, vai despindo véus, cada saber arranca uma cortina, o riso simples se perde, como a infância que nunca retorna. Quem aprende a ver o fundo já não se engana com as cores da superfície. O ingênuo se alimenta de promessas, mas o lúcido conhece o gosto amargo da verdade. Não é que o mundo piore, ele sempre foi o que é: feito de enganos, de vaidades, de silêncios disfarçados em canto. É o olhar que se afia, a alma que se abre, e quanto mais se abre, mais se fere no espinho da consciência. Saber é carregar um fardo invisível: multiplicar dores na medida exata em que se desfazem as frágeis ilusões do consolo. Roberval Pedro Culpi 26/08/2025

Soneto da desilusão A vida é o lento abrir da desilusão, cada saber revela o espinho oculto;
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Soneto da desilusão A vida é o lento abrir da desilusão, cada saber revela o espinho oculto; a mente cresce, e com ela a aflição, pois o véu cai, deixando só o vulto. Não é que o tempo tenha se tornado mais áspero, sombrio ou desumano, é o olhar que, enfim, foi despertado, e já não vive do consolo insano. A consciência pesa, mas liberta, ao sábio ensina a ter leveza e calma; se tudo é sombra, a impermanência é certa. O apego fere, o silêncio embala e acalma; e no vazio, a verdade se desperta: não há prisão maior que a própria alma. Roberval Pedro Culpi 28/07/2025

Abrigo no Vazio A vida desfaz ilusões. Cada saber
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Abrigo no Vazio A vida desfaz ilusões. Cada saber é uma pétala que cai. O mundo não piora, apenas o olhar já não se deixa enganar. A consciência pesa. O fraco se esconde no cinismo, o forte encontra repouso no silêncio. Tudo passa. Nada permanece. O apego é veneno. Quando tudo é máscara, o silêncio é abrigo. No vazio, há paz. Roberval Pedro Culpi 27/08/2025