Frase de Sandro Paschoal Nogueira
O LOBISOMEM DE TAMANDARÉ Pé na areia, coração disparado, Passo apressado, olhar assustado, Dizem que o uivo corta a escuridão, É o lobisomem solto na escuridão. Trova antiga que o povo repete, Entre um gole e outro de aguardente: “Se ouviu uivar, não fique a olhar, Corre pra casa, vai te pegar!” Metade homem, metade fera, Maldição antiga que nunca espera, Quando a lua cheia vem clarear, Em Tamandaré ele sai pra caçar. Mas há quem diga, rindo baixinho, Que o medo é maior que o próprio caminho, Pois o monstro vive mais no falar Do que nos passos que vão te pegar. Ainda assim, se a noite chamar, E o arrepio subir sem avisar, Reza, corre e não olha pra trás… Vai que o lobisomem corre mais! Quando a lua sobe mansa no mar, Tamandaré começa a se escutar. Não é só uivo, não é só temor, É a alma chamando quem se esqueceu do amor. O lobisomem não corre na rua, Ele desperta quando cresce a lua. Mora no fundo do peito humano, No instinto antigo, no medo arcano. “Vai me pegar”, diz a mente em aflição, Mas quem persegue é a própria emoção. É a sombra pedindo para ser vista, Não como fera, mas como conquista. Metade luz, metade escuridão, Somos todos essa divisão. Homem e bicho num mesmo olhar, Aprendendo quando é hora de uivar. Se você foge, ele cresce em poder, Se você encara, começa a se dissolver. Pois o lobisomem, ao se revelar, Quer apenas ensinar a integrar. E quando a lua enfim se deitar, Você entende sem precisar falar: Não era ele que vinha te pegar, Era você chamando pra se libertar Sandro Paschoal Nogueira
No pensador.ai desde