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Frase de Luiz Felipe Amil

⁠DOMINGO DE PROVA Eu saí de casa tão cedo e apressado, vendo e revendo cada bolso da mochila e da calça jeans se eu não estava esquecendo de nada. Pobre de mim se houvesse esquecido algo importante para entrar no local de prova. As canetas pretas eram quatro, que formavam um batalhão de lanças transparentes, como diziam meus avós, estude porque a caneta é mais leve que a pá. Eu como sempre escrevia forte no papel, as canetas pareciam falar comigo o tempo todo em que eu abria a minha mochila para ver elas. Cheguei muito cedo no local de prova que resolvi ir me sentar na cadeira dentro de um barzinho, lanchar um pastel de carne moída com o meu suco de acerola, o preferido no estabelecimento, propriedade de um casal de idosos que havia na frente da universidade. Coloquei duas barras de chocolate na mochila para prova. Resolvi então estudar com os livros na mesa onde a sombra de um jambeiro me cobria por cima. Havia ali um rádio, onde a música de fundo do local era os bons tempos da Jovem Guarda na rádio Guarani FM, melhor coisa que já pude ouvir num domingo de manhã cedo e após ter descido de um ônibus tumultuado. Aquilo parecia tão calmo e tranquilo, mergulhar no fundo dos anos 1960, que meu nervosismo e ansiedade foi embora me dando calma para estudar. Me embalei tão freneticamente naquele ritmo, que a vontade era sair dançado pelas ruas, no meio da fumaça sorrateira e voraz que encobria as ruas de Santarém. Dentro daquele rádio, vinha uma bruma, talvez um nevoeiro repleto do que eu estava estudando para fazer a prova de linguagens, vinha funções emotivas causadas pelo eu-lírico de homens extremamente apaixonados e cheios de subjetividade, que se atirariam no rio, para ter o amor da sua amada e desejada mulher, funções fáticas repletas de arrependimento de mocinhas rebeldes pedindo para o juiz parar o casamento. O amor realmente para quem ama de verdade é uma síndrome conotativa repleta da hipérbole mais linda que se chama exagero.

Luiz Felipe Amil

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Pensador.com

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⁠ABC DO PARÁ Acerolas bem gostosas, uma pesca com avium e abacaba Beijú bem alvo da goma saborosa,
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⁠ABC DO PARÁ Acerolas bem gostosas, uma pesca com avium e abacaba Beijú bem alvo da goma saborosa, Círio de Nazaré em Belém e Conceição em Santarém Dindin ou flau de cupuaçú com bombom de castanha, Égua meu irmão, mas olha já. Farinha pura, torrada, com açaí na tigela, Garapa de buriti e cajá, Histórias do caboclo velho sobre o Curupira, Ingá maduro nas margens do rio azul, Jana Figarella e seu canto nas praias bonitas, Kiwi na salada de fruta paraense Leituras de poemas sobre o carimbó do Çairé, Mandioca no lavador se pelando, maniçoba também. Navio estrangeiro no encontro das águas, Onça miando na mata sombria de jambu e mastruz onde o cauã assobia. Pato no tucupi amarelo, com pirarucu frito Queijo branco na ilha do Marajó, Rio de bauxita em Trombetas na ribanceira pequenas casinhas Sapoti e seringa saborosos em Alter do Chão, Taperebá e tapioca, aí que delícia! O tacacá com a goma tapajoara Urucum bem vermelho para tingir o corpo Ver-o-peso com seus banhos de cheiro, com vatapá de camarão Whisky de graviola e limão Xícara quentinha de café com pupunha Yara, sua lenda e seu canto no Amazonas de reencontro, Zarabatana munduruku que assopra bem longe em Juruti.

⁠SONETO #5 SONETO DO SER AMADO Do perfume das rosas, comigo
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⁠SONETO #5 SONETO DO SER AMADO Do perfume das rosas, comigo Sinto no Olimpo dos cuidados Do zelo prazeroso imediato Do amor entre íntimo e amigo. O ato de doar tem o seu destino Debaixo dos lençóis e na rua Quem contigo não falava, vira sua. Admirador secreto vira predestino. Ser acariciado, minha alma suscita Sente a vontade de beijos carnais De longe, a distância não aguenta. Quem sabe, de paixão um pouco mais A atividade amorosa sustenta, O que o sofrer não se conquista.

⁠SONETO #3 ESTETICISTA FACIAL Moça bela, secretária me atendendo
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⁠SONETO #3 ESTETICISTA FACIAL Moça bela, secretária me atendendo Na sua mesa, logo de manhã bem cedo Antes de tudo, maquiagem completa Seu nome é Marcela bela, lábios violeta. Ninfa das plumas rosas e sutis regalias Me inspirei olhando a ti que me avalias Meus documentos, minha três por quatro Tua singularidade feito lua deixa rastro. Marcela, esmeralda desejada por Brás Cubas, luxuosa no brilho e com batom. Modelo da estética artística, que trás A arte como um soneto agudo semitom Nos azulejos da moda, fugaz nas letras Feita escansão para se admirar o bom.

⁠SONETO #4 DIAMANTE NEGRO o amor que acabou Maysa Amar é sentir bruta dor também, é partir
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⁠SONETO #4 DIAMANTE NEGRO o amor que acabou Maysa Amar é sentir bruta dor também, é partir Saber a hora certa de ficar e corresponder Amar, é sentir medo sem mesmo saber Que o breve amor das pessoas não vai vir. Ter medo do amor como nota falsa ser Infiltrado no coração, dado a persuadir O diamante negro que é levado à sorrir Mesmo quando se ferir, sairá à crescer. E é nessa boa vantagem de saber amar Que nos deliciaremos com o terno bem Que cura, desincha e mata o desatinar Que se desmancha mas açoita também Sem dó o que nem sempre é, no que dá Procurar amor em caras erradas desdém.