Frase de MAJELA COLARES
TRATADO SOBRE UM POEMA quis um poema sem razão nem fim um canto surdo de areia e noites bem mais veloz que a ilusão do tempo que fosse a vida muito além da morte quis um poema que tivesse o fim de ser apenas um rascunho torto entre as lembranças de qualquer rascunho entre os rascunhos de alguém já morto quis um poema de tempo e de tempos regado a vinho – se possível tinto – do instante imune, que não foi instante do tempo impuro, do mais puro cisco quis um poema que fosse um poema de pele clara, de cabelo ruivo que fosse a pedra fecundando o húmus e a luz gestante fecundando a luz quis um poema... se quis um poema foi assim quase... meio, fim e meio sangrei a noite, mas fisguei o verbo quis um poema lacerado ao meio
No pensador.ai desde