Frase de Sivaldo Prates Ribeiro
O TREM QUE PASSOU POR AQUI Passou, primeiramente, o trem... Logo depois, uma embarcação também Ousou passar; e passou repleta de fardos banais De minha vida, levando tudo pro fundo do mar. Difundindo seu triste ruído insano, Desponta-se no horizonte Um impertinente aeroplano... [todo dissimulado], Trazendo, outra vez, terríveis fardos Presenteando minha pobre vida; E passou depressa, Mais rápido que um foguete, cortando o céu Fazendo minh’alma desencontrar guarida. Passou mais rápido Que o velho trem, que o pobre barco, Que famintas águias destras a caçar; Passou mais rápido que a própria aeronave Executando voos rasantes pelo ar!... [Na verdade, um míssil devastador e mui temível] Ainda, assim, bem menos nefasto Que as ondas bravias do meu triste mar. E lançou um fardo pesado em minha vida, E deixou um rastro marcante, causando ferida... Um verdadeiro vai-e-vem de homem vencido, alucinado Embevecido, [e desvairado]. Um pouco de tempo mais tarde, Um som de interrogação preliminar soou aos meus ouvidos: “Cadê o trem, o qual por aqui também passou”? Respondi, escrupulosamente, que o trem só veio aqui Presentear-me com a paz, a liberdade... E sanar a minha dor. AUTOR: Sivaldo Prates Ribeiro OBS. Poema classificado em concurso literário nacional (SARAU BRASIL 2017)
No pensador.ai desde