Frase de Amanda Suita
7 de setembro Você nasceu num domingo de setembro, quando o país inteiro se lembrava dos gritos de liberdade. Você já veio com sal na pele e um silêncio tão antigo que até as ondas se calaram para ouvir seu primeiro choro. A casa onde cresceu tinha paredes que sorriam mas respiravam veneno. Você aprendeu cedo: amar não é confiar, é sobreviver com as mãos cheias de alerta. Seu corpo virou radar, seu sono, vigília. Mas mesmo assim, nunca perdeu o brilho dos olhos que enxergam além do que dizem. Houve um dia, pequeno, quase invisível, em que uma voz suave te chamou pelo nome sem pedir nada em troca. Foi como ouvir o primeiro acorde depois de uma vida em surdina. Aquilo não te salvou. Mas te lembrou: você já era inteira antes de qualquer gesto alheio. Hoje, o mundo arde. Um louco grita, rios secam, cidades viram cinza, e os oceanos choram ácido. Mas você ainda entra na água como quem entra em oração. Ensina crianças a ler as marés como se lessem o futuro. Planta esperança onde outros só veem fim. E faz tudo isso porque sua força nasceu no escuro e não precisa de luz para existir, ela já é fogo. Seu corpo adquiriu cicatrizes, mas sua alma ainda corre descalça na beira da espuma, rindo do tempo como quem sabe que eternidade não se mede em dias, mas em gestos verdadeiros. Não tema o que deixou para trás. Toda criança deve ser amada e respeitada. O passado não tem que ferir, foi justiça. E justiça, mesmo silenciosa, ecoará por gerações de meninas que ousarem dizer: “não.” O mundo precisa de vozes como a sua, não altas, mas firmes. Não visíveis, mas inabaláveis. Você é e sempre foi a própria liberdade vestida de mulher. Um Pitbull de saias que não guarda rancor, só quer correr livre, para todas as direções. O coração derretido que fez muralhas para continuar batendo.
No pensador.ai desde