Frase de Raphael Bragagnolle
Linha Tênue Escrevo esse poema entre a dor e um dilema, sabendo que muitos vão apontar antes mesmo de tentar entender. Pra nós… já virou rotina sentir demais, carregar um peso antigo de quem, muitas vezes, nem pediu pra nascer. A vida… a morte… quem é que diferencia? Existe uma linha tão tênue que meus passos caminham sobre ela todos os dias, sem garantia. Já tive vontade de ir embora, não por fraqueza, mas por não achar lugar onde eu pudesse caber. Desajeitado, quebrado, perdido… como só entende quem já perdeu tudo e ainda tenta sobreviver. Mas a recuperação tem algo estranho, quase um enigma que intriga: a mesma dor que antes nos empurrava pro fim, hoje nos faz implorar por mais um dia de vida. E chega a ser irônico… porque antes, sem perceber, a gente se destruía aos poucos, roubando os próprios dias de uma contagem silenciosa, de uma doença incurável, progressiva e fatal. Hoje eu perdi um amigo. Não foi para as garras da adicção ativa, e isso, de alguma forma, conforta… mas não apaga a dor. Porque perder… ainda é perder. E a vida, que antes parecia clara, se mostra torta, como um reflexo quebrado de tudo que já fomos. Mas no meio desse caos, existe um porquê que insiste em ficar: ele partiu limpo, de cabeça erguida, carregando uma vitória silenciosa que o mundo nem sempre vê. Meu amigo se foi… sem saber que, no caminho, salvou vidas. Sem saber que foi luz em meio à escuridão de muitos. E talvez seja isso… o que me mantém aqui: entender que, mesmo na dor, mesmo na perda, mesmo na saudade que aperta… eu ainda escolho viver mais um dia.
No pensador.ai desde