Frase de Kátia Sandrin
Coisas que terminam, mas não acabam Eu sempre tive um talento muito especial: ajudar pessoas. E, acredite, sou muito boa nisso. Tão boa que psicólogos, psiquiatras e farmacêuticos responsáveis por remédios para controlar mudanças de humor, morreriam de inveja de mim... ou não!? É algo que descobri há muito tempo e que não posso evitar. Gosto deste trabalho quase em tempo integral. Frases de filmes do Cameron Crowe à parte, conversando com uma amiga me dei conta de como a nossa vida é repleta de coisas que terminam, mas não acabam. Eu que sempre gostei das divagações e reticências, garrei um ódio desses malditos três pontinhos que deixam nossas histórias em aberto; presentificando o passado e servindo de muleta sentimental. Como se o amor fosse uma perna saudável que fizesse questão da ferramenta pelo simples medo de caminhar sem a segurança do apoio incômodo. APOIO INCÔMODO. Contraditório, não? Quando foi que passamos a andar com o que nos impede de correr? Talvez no dia que amores cinza, quem diria, se tornaram o tom da estação... Foi conversando com essa amiga cinza chumbo que percebi como a vida me fez gostar de pontos finais. Como é bom ver um mesmo filme várias vezes pela certeza de saber como as histórias terminam. Que prazer ler The End em letras garrafais na tela. Fim. Para vocês entenderem a falta de cores vivas no amor dessa amiga, vou contar a história dela como se fosse um filme, com uma breve sinopse dessa comédia romântica: Garota conhece garoto. Garota e garoto se apaixonam. Garoto tem ex- mulher e filho. Garota passa a ter problemas com o garoto porque o garoto da liberdade demais a ex- mulher que tem chave do seu apartamento, no qual tem livre acesso até mesmo para entrar durante a madrugada e destruir eletroeletrônicos de última geração. Garota da um fim à relação porque garoto é banana e além de tudo dorme na casa da ex- esposa quando vai visitar o filho. Moral da história: mulher perdoa muita coisa, menos um homem banana. Bananas de pijamas à parte, que tipo de cara tem o apartamento destruído pela ex- mulher e ainda dorme na casa dela quando vai visitar o filho? Menino bom, do interior, inocente e juvenil, criado a leite com pêra e ovomaltino, que não gosta disso de hotel, não. Pede pouso na casa da ex. Sim, menino bom, do interior não dorme; pousa na casa da ex. Cômodo, né mesmo? Né, não. Tanto a minha amiga, ele, quanto a ex psicopata; deixaram de viver novas histórias por medo, que é muleta do comodismo, que não passa de muleta da coragem, que é muleta do medo... Quantas pessoas já perderam a chance de ter um relacionamento legal com alguém novo porque um ex insiste em continuar nesse círculo manco e vicioso, topando pra cá, tropeçando pra lá... Se escorando nas nossas vidas como se ainda fossem parte diária delas. Damos chances e mais chances para o que não ter a menor possibilidade de dar certo. Não tem perspectiva de prosseguir na caminhada. Se muleta fosse bom, Capitão América combateria o crime com ela e não participaria de experimento científico pra se tornar super soldado, não. Pode parecer difícil, muitas vezes até impossível no momento, mas dar um ponto final nesse tipo de relação é fundamental pra não perdermos uma coisa: a direção. Se o cara não tem atitude, bora dar fim ao que te prende e não te deixa andar. Cada final é também um recomeço e o que vale são as surpresas da jornada!
No pensador.ai desde