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Frase de Rosangela Montano

A Beleza da Inocência Ali, onde o verde abraça o chão macio, e o branco dos dentes‑de‑leão flutua leve, vive o tempo que não conhece o receio: a infância, pura, inteira e sem reservas. Olhos que brilham como manhã sem nuvem, mãos pequenas que tocam sem medo nem mal; ao lado de penas amarelas e suaves, nasce uma amizade de coração natural. Não há segredos, nem muros, nem desconfiança, apenas o sorriso que brota sem esforço: é a inocência, a flor mais bela e verdadeira, o primeiro tesouro que o mundo recebeu. Nesse encontro entre criança e natureza, vemos a vida como ela deve ser: simples, serena, repleta de doçura e livre para, apenas, saber viver.

Rosangela Montano

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Pensador.com

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Outras frases de Rosangela Montano

A Oficina dos Dias Somos retalhos de vivências alinhavados pelo tempo, sem pressa.
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A Oficina dos Dias Somos retalhos de vivências alinhavados pelo tempo, sem pressa. Cada um carrega no avesso do pano o mapa de uma guerra, o sal de uma promessa. Não nascemos inteiros. Fomos feitos na oficina de perdas e achados. Um pedaço veio do primeiro tombo; outro, do beijo que ficou calado. Buscamos sinais no passado como arqueólogos de nós mesmos. Escavamos a argila da memória para entender o molde do que tememos. E o que achamos? Um baú sem chave, onde o riso dorme ao lado do pranto; onde o nome que não dissemos ainda ecoa num quarto. Reciclamos paixões, sim. Somos mestres em alquimia tardia. Pegamos a cinza de um amor que não vingou e fazemos dela nova poesia. Tiramos do mar do esquecimento náufragos que julgávamos mortos: uma carta, um cheiro, uma música antiga, e o peito vira cais, vira porto. Nos deleitamos com as lembranças não por fraqueza de quem não anda, mas porque toda raiz precisa da água escura que a expande. Guardadas na alma, elas fermentam: são vinho velho em pipa de osso. Quando a vida aperta a garganta, um gole de ontem desfaz o nó grosso. Injetamos vida no que foi com a agulha da insistência. Ressuscitamos instantes banais e os coroamos de transcendência. Porque viver não é linha reta: é espiral que volta e avança. O menino que fomos nos olha e cobra do homem a mesma esperança. Somos feitos de fins que viraram meio, de adeuses que aprenderam a voltar. Cada cicatriz é uma costura onde a luz resolveu morar. E se alguém perguntar do tecido que veste a nossa humanidade, responde: é colcha de mil histórias, remendada com dor, com fé, com saudade. No fim, quando o corpo cansar e a linha da vida se romper, que nos enterrem com essa colcha: pois fomos tudo o que deu para ser.

Tudo o Que Eu Quero Ser em Ti Queria deter o tempo em seu caminho, fazer dos nossos instantes eterna luz,
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Tudo o Que Eu Quero Ser em Ti Queria deter o tempo em seu caminho, fazer dos nossos instantes eterna luz, não deixar que o momento se desfaça, mas guardá-lo em nós como um sagrado laço. Quero ser a calma que acalma teu mundo, a paz que repousa no fundo da alma, o mel que suaviza cada palavra tua, doçura que fica, mesmo quando silencia. Ser o toque suave que te envolve e veste, acender o desejo mais vivo e profundo, aquela lembrança que traz ternura aos olhos, a história que amas e que nunca se acaba. Ser o olhar que encontra o teu e te encanta, o carinho que afaga quando o cansaço vem, o abraço que acolhe, que segura e conforta, a voz que te fala e que só a ti conhece. Ter o sabor do beijo que fica na pele, o calor do abraço que nunca é bastante, fazer do meu sonho a tua realidade, e do nosso amor a verdade mais radiante. Pois quero ser tudo, em cada detalhe, tudo o que és em mim, em cada manhã: o sentido que faz a vida valer a pena, o amor que, em nós, se tornou eterno.

O Enlace que Fica Vida é apenas o tempo de se encontrar, uma porta aberta por onde dois passam e se veem.
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O Enlace que Fica Vida é apenas o tempo de se encontrar, uma porta aberta por onde dois passam e se veem. Podem chegar perto, se aquecer, se tocar, mas ainda são dois, que o mundo separa e une. Só quando a existência se apaga e se acalma é que se faz a união que não tem mais fim; não há mais entremeio, nem distância, nem limite, é um ser no outro, inteiro e sem fim. Enquanto aqui estamos, o corpo só sabe ter no abraço o seu jeito de se achegar; ele aperta, ele sente, ele faz o que pode, mas é na alma que o laço vai se firmar. Porque o abraço passa, ele é feito de instante, se desfaz quando os braços se afastam então; mas o enlace das almas não tem mais barreiras, ele existe antes mesmo, e vive depois, além do tempo e da condição.

Ode à Poesia Ó Poesia, filha do silêncio e irmã da eternidade! Tu és o sopro invisível que desperta a alma quando o mundo adormece na monotonia dos dias. Antes que existisse a tinta, já habitavas o coração. Antes que as mãos aprendessem a escrever, já desenhavas universos na de…
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Ode à Poesia Ó Poesia, filha do silêncio e irmã da eternidade! Tu és o sopro invisível que desperta a alma quando o mundo adormece na monotonia dos dias. Antes que existisse a tinta, já habitavas o coração. Antes que as mãos aprendessem a escrever, já desenhavas universos na delicada linguagem dos sentimentos. És chama que não consome, rio que jamais se esgota, vento que atravessa os séculos sem perder o perfume da primeira inspiração. Em teu templo, as palavras deixam de ser meras letras para tornarem-se asas. Elas voam sobre montanhas de dor, atravessam desertos de solidão e regressam trazendo o orvalho da esperança. Tu conheces o nome de todas as lágrimas. Sabes distinguir a lágrima da saudade, a da alegria, a do reencontro, a da despedida e aquela que nasce quando Deus toca o coração sem pronunciar uma única palavra. És jardim onde florescem os sonhos que o tempo não conseguiu apagar. És oceano profundo, onde mergulham os que procuram mais do que respostas: procuram sentido. Quando o amor se torna pequeno para caber na linguagem comum, é em teus braços que ele encontra morada. Quando a dor já não suporta o peso do silêncio, é em tua voz que ela descobre a dignidade da beleza. Tu transformas cinzas em primavera, feridas em sabedoria, espera em confiança e saudade na mais pura forma de permanência. Poesia, tu não desafias o tempo; tu o santificas. Fazes de um instante uma eternidade inteira e de uma vida simples uma obra que jamais se apaga. Por ti, o céu desce às palavras, e as palavras aprendem a subir ao céu. Ao teu encontro, o invisível ganha rosto, o impossível ganha caminho e o coração encontra o lugar de onde nunca deveria ter saído. Que jamais se cale a tua voz! Pois quando a poesia silencia, o mundo perde um pouco da sua luz, a esperança se torna mais distante e a alma esquece que nasceu para contemplar a beleza. Permanece entre nós, ó eterna companheira, ensinando-nos que viver é muito mais do que existir: é sentir profundamente, amar sem medida, esperar com coragem e descobrir Deus em cada pequeno milagre escondido nas entrelinhas da vida. Salve, Poesia! Enquanto houver um coração pulsando, um olhar voltado para o infinito, uma flor desabrochando ao amanhecer e uma alma disposta a amar, o teu canto viverá e ecoará para sempre por todos os tempos.