Frase de Maria da Penha Boina
Pessoa (geminiano) Muito sutil foi Álvaro de Campos No Poema em Linha Reta Peço desculpas ao honrado poeta Pelo seu canto enigmático e cheio de destreza. Caro poeta... Todos os seres levam porradas e são traídos Dói o bastante, portanto, escusa serem declarados, Não necessitavam a mim, serem elucidados Nos seus atos violentos de sensações subjetivas, Seu prazer, ódio, raiva, rancor, ressentimento, mágoa, revolta, tristeza, angústia, dor, solidão e alegria... Prezado poeta... Como poderia conquistá-lo? Seria afiançando a minha baixeza? Não poeta... Não foi por essa causa que esteve por tanto tempo ao meu lado. A semideusa foi o seu encanto. Essa geminiana que em cada ombro Carrega de um lado um deus e no outro o diabo. Poeta... Reconhecer as falácias é por vezes difícil, O seu sofisma foi o de estar calado. E qual foi o seu desencanto? Saber dos meus pecados, escondendo os seus enganos Sim, pois foi o que procurou Por não entender o quanto é amado. Meu digníssimo poeta... Não foi capaz de escutar e entender a voz humana A bipolaridade geminiana. Sim, poeta... Somos todos, todos Infâmias, covardias, porcos, submissos, grotescos, arrogantes Ridículos e, portanto, enxovalhados Somos príncipes e princesas... Portanto, poeta Tornamo-nos literalmente vil, Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
No pensador.ai desde