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Frase de Ricardo Maria Louro

⁠Cão sem Dono - Sou cão sem dono, cão vadio, cão de rua ... Como do chão, dos restos de quem vive, de quem passa ... Mas nem sempre foi assim! Já quis ter casa! E já a tive ...fugi ... E corro montes e vales e não me canso de ser livre, não me prendo a nada, a ninguém, e ninguém se prende a mim. Não há trelas ... Quando chove, cheiro a cão molhado, sujo, enlameado, ninguém me quer e eu não quero ninguém! Porém, quando a noite chega, cansado de ser livre, triste, só, ao relento, sinto uivos na razão e tenho fome, e tenho sede, e tenho frio de amor ... Tenho medo de um dia não ser cão, de ser igual aos outros e morrer numa prisão! E corro, e fujo, e ninguém me apanha ... e vem o dia, outro dia como tantos, onde o preço da diferença é ser vadio, sem dono ... E há de súbito, em mim, a brecha de um vazio, o peso de um cansaço, um veneno que salivo, que degusto no paladar ... E sinto náuseas, vómitos, uma angustia que me sulca no galope de um segundo! Foi da comida que me deram! Esses que me expulsaram por ser um cão maricas ... Que não queria ir à caça, nem sabia o que era a rua, nem queria acasalar ... Um cão que só queria ser um cão, simples, afável, alegre, sorridente ... MAS ISSO É SER MARICAS!!! Diziam ... Deixem-me apenas ser um cão! Sem regras nem tratados, arrogância ou presunção! E se isso é ser maricas, que seja, não me importo ... NÃO! Nunca me hão-de ver na caça! Nunca me hão-de ver de trela! Nunca servirei para acasalar! Nem saberão quem levo no coração! ANTES ABATIDO!!! ... Como um cão sarnento! ... NÃO! NÃO! NÃO! Nunca lhes darei o prazer de assistir ao meu declínio embora consciente! NUNCA!!! ... E que importa que não sintam a minha falta?!... A falta que me sentem é daquele que nunca fui, não de mim, de quem sou! Que importa que ninguém pergunte se estou vivo ou se morri?! Morto já eu estou, para todos, há muito, desde a hora em que nasci! Mas sou um morto-livre! Um morto que a morte não matou! ... Porque sou livre! E louco! Mas sou eu ... ... fiel ... a mim ... Um cão sem dono! Vadio! ... Um cão maricas que não queria ir à caça, nem queria acasalar ... Um cão que nem ladrava! Que só queria ser um cão! Que não servia para nada ... ... mas foi livre!!!

Ricardo Maria Louro

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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⁠CANTIGA DE ESCÁRNIO E MALDIZER: Quando as tripas te doerem Ou tiveres diarreia O XANAX, é bom saberem, Faz passar, é boa ideia! Na farmácia Malagueira A Crispina ao balcão Dá XANAX p'ra cegueira A quem vem com comixão. Aos jantares de Natal Só lá vão os coitadinhos deixa estar que não faz mal Serão sempre pobrezinhos. Um XANAX, é bom saberem Faz passar a diarreia Quando as tripas te doerem Bota-a-Baixo, é boa ideia.

⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento
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⁠Nome que é meu - Nada no mundo me prende perdi-me no sofrimento e quanto dói dentro da gente não saber dar tempo ao tempo! Sou como a folha caída que se perdeu do mundo inteiro sou como a flor esquecida em manhã de nevoeiro! A tristeza que me abraça dá mais voz à minha fome sou como tudo o que passa não me chamem pelo nome! Porque esse nome sem carinho foi o destino quem mo deu deixem-me Ser pelo caminho longe desse nome que é meu!

⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem
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⁠Viagem - A vida é uma viagem Um retorno sem imagem Nos espelhos do destino, É um grito sem amarras Um poema sem palavras Que vivemos no caminho. O que trago ou não trago O que canto e dou ao fado Só eu sei o quanto dói, Ver nos olhos de toda a gente O silêncio de quem sente O quanto a vida nos destrói. Visto noites e cansaços No meu corpo, nos teus braços Na distância, o teu olhar, Roda a roda do destino Acendo velas no caminho Numa pressa de te amar. Só há Fado e solidão Esta dor e um coração Nos meus olhos a bailar, E no céu da minha noite Já nem há onde me acoite Tanta estrela sem brilhar.

⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar,
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⁠Tremores - E eis que na solidão da praia deserta Caem águas do meu triste olhar, Mas essa água que me aperta Não é menos que as águas do mar. Não me lembro de existir dentro de mim Algo maior que a palavra solidão, Algo mais seco que a amargura d'um jardim Plantado junto aos portais do coração. Há uma noite enleada aos desejos de cada um, Um grito, uma metáfora de saudade, Uma vontade de comer que é jejum Que a trazemos desde o berço por piedade. E o que ser para além d'um silêncio sem destino?! Um planeta sem elipse, uma curva, Uma pedra só, pisada no caminho, Um punhal numa fonte de água pura!