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Frase de Saul Mariano de Souza

⁠ÊXODO Vou-me embora… vou-me embora… Já cansei de ser semente. Vou tentar buscar saída, Vou partir contra a corrente. Com roupagem de esperança Visto meu corpo dormente, Renuncio ao meu passado E parto tão de repente, Que nem mesmo a minha sombra Há de ver-me pela frente. Quero andar pelo infinito Por caminho diferente; Quero andar por uma estrada Onde não possa ver gente, Sem ter fim, sem ter começo, Sem ter nada que me oriente, Só sentindo em meus cabelos Esta chuva persistente… Esta chuva que ora cai Sobre meu corpo indolente Refrescando os pensamentos, Ordenando minha mente, Carregando na enxurrada Toda a tristeza insistente Que se apoderou de mim, Que em mim se fez presente Desde o momento em que a terra Num soluço penitente, Vacilou sob os meus pés Tragando a emoção tão quente, Tão pura, tão generosa, Tão viva, tão eloquente, Que bailava no meu peito, No meu peito bem-querente…

Saul Mariano de Souza

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Pensador.com

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⁠A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE CORRE! Vesti meu terno de domingo singular; Botei perfume de alfazema pra agradar;
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⁠A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE CORRE! Vesti meu terno de domingo singular; Botei perfume de alfazema pra agradar; Corei meu rosto de cobiça de encontrá-la; Saí de casa com meu passo de esperança; Cheguei bem cedo na pracinha sem tardança; Sentei num banco do jardim para esperá-la; "Tem que ser hoje! Vou dar fim ao meu anseio!" Colhi três ramos de determinada flor; Lembrei palavras pra dizer com muito amor; Provi meu peito do frescor daquele instante; Cantei poemas e canções por distração; Contei estrelas no horizonte em oração; Sorri pra lua, com prazer no meu semblante. "É só esperar pra ser feliz! Verá! Verá!" Traguei fumaça de cigarro como um louco; Senti pontadas de suspeita pouco a pouco; Cruzei as mãos, adivinhando a má verdade; Baixei meus olhos carregados de certeza; Desfiz meu peito com soluços de tristeza; Deixei cair três ramos murchos de saudade. "Ela não veio! Santo Deus. . . ela não veio!" Sequei meu rosto amolecido pelo pejo; Ergui meu vulto fatigado de desejo; Rumei meus passos no retorno à solidão; Despi meu corpo umedecido da garoa; Deitei meus sonhos num colchão largado à toa; Dormi com a dor do desengano, da ilusão. "Ela virá! Sei que amanhã ela virá!. . ."

⁠AMOR VERSUS AMOR Olhei teu rosto e então eu vi! E te confesso — estremeci;
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⁠AMOR VERSUS AMOR Olhei teu rosto e então eu vi! E te confesso — estremeci; Me perturbei, me comovi. O que de há muito eu carecia Ali floria, tão patente, Tão nítido, tão eloquente Que eu temia ficar demente Se não fosse vero o que eu via! Se fossem palavras apenas, Alguns gestos, algumas cenas A traduzir ideias plenas, Tranquilo eu podia ficar. Pois palavras no ar se apagam; Gestos. . . se diluem, se vagam; E cenas. . . somente propagam O que é simples, preliminar. Mas o mais puro, o mais profundo, O amor que aspira neste mundo, Ali no teu rosto rotundo Se espelhava, em todo esplendor. Teus olhos, nos meus cravejados, Lançavam apelos velados; Rogavam que fossem amados Com igual parcela de amor!

⁠TEM QUE SER ASSIM? já cansei! já cansei!
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⁠TEM QUE SER ASSIM? já cansei! já cansei! Quanto custa o amor? Onde comprar? Em que mercado o posso encontrar? Se não, quem pode, pra mim, fabricar? Já cansei de investigar. . . Em que loja posso achar um querer? Quem pode, por caridade, vender Tal virtude, tal bem, esse prazer? Já cansei de buscá-lo. . . E alegria? Como hei de conseguir? Que arquiteto há de, dela, me cobrir? Que feitiço fá-la sempre sumir? Já cansei de almejá-la. . . Quem pode, a paz, ao meu peito transpor? Que súplicas devo orar, por favor? Que preço pagar e granjear amor? Já cansei de pesquisar. . . já cansei! Amor, querer, alegria e paz; Meios de consumo que não têm mais. Jóias raras -- saíram de cartaz! Já cansei de procurar... já cansei! já cansei!

⁠TEMPO SEM TEMPO Três meses passam... mas não passa a nostalgia. Três meses passam... vai crescendo dia a dia
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⁠TEMPO SEM TEMPO Três meses passam... mas não passa a nostalgia. Três meses passam... vai crescendo dia a dia Uma revolta... uma saudade... uma esperança... Três meses passam... e esta espera me atordoa. Três meses passam... e a cidade me magoa Com o mesmo chão... mesma rotina... igual lembrança... Três meses passam pelo tempo e vão passando... Três meses passam... e um de nós dois vai ficando Sem mais revolta... com saudade... com esperança... Três meses passam... três estágios da partida. Três meses passam... fica apenas a sentida Dor do tempo. Dor da espera. Dor da privança. Três meses chegam... a alegria quase vem. Três meses chegam... e um de nós agora sem Uma revolta e uma saudade... só esperança... Um ano passa... pouco tempo vida nessa. Um ano passa... passará muito depressa Com um ficando com coragem e confiança. Três meses passam... passa tudo e nada volta. Três meses chegam... despedida da revolta. Tempo sem tempo... sem surpresas... sem mudança... Um ano passa... passa a prova da saudade. Ano de amor... ano de busca... de amizade... Tempo de dar... de ter... de amar... sempre a esperança!...