Frase de Bruno Mamprin
A relva molhada, um paiero aceso A paca correndo, o riacho barulhento O rádio ao fundo toca baixo, o berrante empoeirado O tédio consome, não sei se aguento O velho resmunga, o eucalipto balança O manga-larga trota, a muriçoca rondeia O lago se remexe, o pinhão já tá no fogo O guardanapo todo duro, é o luar que me norteia O pinto avisa, D'Angola cacareja Daqui eu imagino, como é que seria Se aquele Preto-Velho ainda Estivesse na Bahia Um bom trago na cachaça e já devolvo para a pia Respiro fundo e olho fixo, para além da cocheira Um menino se aproxima, de bota e chapéu marrom Parece até que me conhecia, desde os tempo da trincheira De longe desconfio, aproximo a espingarda Traz um santo na mão, com os olhos me pedia Aqui tem um recado, de alguém que me mandou aqui Num papel velho e amassado, de alguém que se asfixia Passa um gato como um tiro, parece que já sabia A paz que aquele piá, sem querer me trazia Ô meu pai mas que saudade, esse estradão é muito cruel Não entendo muito dessas coisa, nem escrevê eu sei direito O que sei é desse aperto, que deixastes em meu peito No horizonte vejo mato, um rio fundo e o mesmo céu As garrafas não dão conta, me afogo diariamente Qualquer comida que me atrevo, só consigo sentir o fel Interrompo aquela carta, não consigo prosseguir Ninguém sabe meus motivo, o que me trouxe até aqui Sou um chucro fí do mato, criado no sertão Minhas coisa resolvo assim, me afasto pra refletir Não sei se certo ou errado, Mas me puno com a solidão
No pensador.ai desde