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Frase de Sandro Paschoal Nogueira

⁠#ORIXÁS Em uma casa branca... De telhados cinzentos... Grande portão de madeira... Eu me vi ali dentro... Uma bandeira alva... Bem no alto tremulava... Silêncio respeitoso... De yawôs que ali estavam... Sobre a esteira - eni... Um ancião sentado ali... Sagrados objetos de Opon-Ifá... Pude bem observar... O jogo estava pronto... Era hora de Orumilá falar... Tinha já hora marcada... Muito queria saber... Tantas perguntas... Para o babalawô responder... Abanou-se com o irum-kerê... E os okins foram jogados... E maravilhado... Pude ver... Ifá começou a falar... Odu manifestou... Traçado singelo escrito... Cheios de significados... Se revelou... Agora já era sabido... Qual destino era meu... O que eu tinha a fazer... Que atitudes a tomar... Me banhei de ervas frescas.. Alecrim e mangericão... Arruda, guiné... Erva tostão... Então comecei... Com minha grande jornada... Em grande encruzilhada aberta... Com farofa e aguardente... Exu invoquei... Pedi licença e segui adiante... Para trás não mais olhei... Seguindo caminhada... Pela longa estrada... Ogum gritei... Que me desse bons caminhos... Em minha jornada... Se eu tivesse inimigos... Que a vitória me fosse dada... Na beira da mata... Odé estava lá... Se eu quisesse a fartura... Ele poderia me dar... Me aconselhou a ter persistência... "- Tudo tem que ter paciência... - Um bom caçador - avisou... - Tem que ter prudência..." Moedas e fumo de rolo... Com Aroni pude barganhar... Somente assim... Ossãe poderia me ajudar... A fronte no chão bati... Paó ecoou... A terra tremeu... Na rachadura... Omulu apareceu... Em meus braços e tornozelos... Amarrou palha da costa... Força me seria dada... Eu venceria... Não conheceria a dor da derrota... Também eu teria... Saúde e paz... Me prometeu o senhor da terra... Que não me abandonaria jamais... Então ao meu encontro veio... Um poderoso rei... De cabelos trançados... Todo garboso... Do trovão o poder... Tamanha foi a visão... Diante de sua autoridade... Me prostei... Sua voz poderosa... Grande e forte brado... Empunhando dois oxês... Dois machados... Usando esplêndida coroa... Tirou de sua cabeça... Colocando em minha mão... Justiça sendo feita... Com toda precisão... Era Xangô... Que ordenou a Oiá... A todos os maus eguns... Afastar... Forte vento soprou... Levantando muita poeira... O céu relampejou... De imensa beleza... Iansã os chifres de búfalo me deu... Toda vez que eu precisasse... Era só por ela chamar... "- Filho...Agora você também é meu..." Me levou na cachoeira... Onde a mãe do ouro se banhava... Tão linda me encantou... Oxum também me presenteou... Pequeno seixo branco... Tirada de seu adê... " -Leve contigo esse seixo... - Em hora certa saberá o que fazer..." Mãe me alimentou... Com a caça de Logun Edé... Matou minha sede... Me deixando ali ficar... "- Durante o tempo que você quiser..." Porém, não era essa minha intenção... Por mais assim quisesse eu... Carinhosamente me indicou... Segui o rio abaixo... Que era seu... Ondes as águas eram mais bravas... Obá eu encontrei.... Valorosa guerreira... Disposta a me guiar... Me levou para a lagoa de Ewá... Em lago plácido entrei... Para a menina deusa encontrar... Com Oxumarê a donzela brincava... Junto às águas sagradas... Da lagoa encantada... Flores rosas eu ganhei... E a grande dã ofereceu... Comigo cruzar o firmamento... Às águas de Iemanjá... Poderia me guiar.. A grande mãe já me esperava... Em seu palácio submerso... Feito de corais... Montanhas de ouro... Navios naufragados... Eram seu tesouro... Me mostrou todo o okum... Nosso berço ancestral... Aonde ela aprisionava... Todo e qualquer mal... Em barco de espuma naveguei... Ao encontro da nossa origem... Junto a mim... Levando os presentes que ganhei... Seria bem recebido pela grande senhora... Dona da fatídica hora... Conheceria a grande Nanã Buruquê... Anciã de grande respeito... Morava em casa de barro e estuque... Já estava assim tão perto... De tudo esclarecer... A mais idosa... Senhora do mistério... Carinhosamente me recebeu... Me indicando o caminho... Antes me aconselhou... Às Iamins não ignorar... Sem a precisão delas... Ninguém poderia me auxiliar... Oxumarê que ainda... Junto a mim estava... Me guiou pela terra... Das grandes águas paradas... Então chegando ao cume... De uma grande montanha... Estava ali quem eu tanto procurava... Dando fim a minha campanha... Ajalá... O grande orixá... Moldador de todo ori... A quem eu deveria... Que de Oxum ganhei... Entregar o okutá... Olodumare então sorriu... Olorum ficou em festa... Todo o mundo tremeu... Tal qual palmeira ao vento... Ergui minhas mãos aos céus... Fazendo meu agradecimento... Pela dádiva recebida... Reforçando meu comprometimento... Agradeci a Ifá... Agradeci a Orumilá... Pedi a benção a Oxoguiã... Beijei a mão de Oxalufã... Me deitei aos pés de meu senhor... Ododuwá... Meu odum estava completo... Meu destino se cumpriu... Meu coração em paz... Minha alma floriu...

Sandro Paschoal Nogueira

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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Saí de casa sem destino, sem saber onde chegar, não porque houvesse um caminho,
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Saí de casa sem destino, sem saber onde chegar, não porque houvesse um caminho, mas porque eu precisava andar. Sentei num bar, pedi um drink, vi a noite acontecer, e entre risos e conversas não encontrei o que queria ver. Não era falta de gente, nem silêncio ao redor; era a falta daquele encontro que faz a noite ter sabor. Há dias em que a vida passa sem sequer nos tocar, como uma rua conhecida que já cansamos de atravessar. E então a gente sai sozinho, só para poder dizer: “Hoje eu não fiquei fechado, hoje eu tentei viver.” Mas que estranho é estar no mundo e não sentir o mundo entrar; ter pessoas ao nosso lado e ninguém nos despertar. Talvez a vida seja mesmo esse eterno procurar: não necessariamente alguém, mas um motivo para ficar. Um olhar que nos surpreenda, uma conversa sem final, uma presença inesperada que transforme o habitual. Porque o que cansa não é a noite, nem a solidão de um lugar; é quando todos os caminhos parecem sempre terminar no mesmo lugar. Então volto para casa, deixo o copo e deixo o bar, guardo a noite na memória e me preparo para sonhar. Amanhã começa tudo de novo, com seus horários e seus ais; mas talvez, entre o mesmo de sempre, a vida ainda guarde algo mais. E se hoje nada aconteceu, não significa que acabou. Há noites que apenas passam… e há noites em que alguma coisa começa sem que a gente saiba onde começou. Sandro Paschoal Nogueira

Todo dia é quase igual, A rotina não dá trégua, O mundo parece banal,
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Todo dia é quase igual, A rotina não dá trégua, O mundo parece banal, E a mesmice nos carrega. As mesmas ruas, os lugares, As conversas sem emoção, Os mesmos velhos olhares, A mesma programação. É chato, não vou negar, Parece tudo repetido, Mas a vida pede pra andar, Mesmo quando falta sentido. A gente sai pra espairecer, Pra ver gente, ouvir canção, Pra tentar um pouco viver, Pra distrair o coração. Um bar, uma mesa, um amigo, Uma cerveja pra acompanhar, Mesmo sem nada de novo, A gente insiste em tentar. Porque ficar só reclamando, Também não muda o cenário, E o tempo vai nos levando, Sem consultar o calendário. Então, mesmo achando chato, Mesmo cansado de tudo, Vamos sair desse quarto, Conhecer um pouco do mundo. Que a vida não é novidade, Nem sempre tem emoção, Mas ainda existe liberdade Pra escolher outra direção. E se amanhã for igual, E o tédio vier novamente, Que a gente enfrente o banal Com um sorriso diferente. Porque viver é insistir, Mesmo quando falta prazer, É levantar, sair, sorrir... E dar uma chance ao viver! 🌹 Sandro Paschoal Nogueira

Era sábado, a garoa caía, bem leve, molhando a calçada, e eu fui ao BarCana tranquilo,
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Era sábado, a garoa caía, bem leve, molhando a calçada, e eu fui ao BarCana tranquilo, sem pressa, sem hora marcada. Ali estava a Rose, proprietária, dona daquele cantinho acolhedor, e entre conversa, risada e lembrança, a noite ganhava seu próprio sabor. Uma garrafinha de catuaba ia chegando ao seu ponto final, enquanto a chuva, mansinha, deixava mais bonito o temporal. Não era noite de grandes planos, nem de procurar explicação; era apenas viver aquele instante, com simplicidade e satisfação. A vida talvez seja justamente isso: saber o momento de chegar e partir; ficar quando existe vontade, e ir embora quando é hora de dormir. Porque eu tenho pousada, tenho trabalho, e a manhã não espera ninguém: quatro e meia já estou de pé, fazendo o café para quem vem. Enquanto muita gente ainda dorme, eu já começo o meu dia a cuidar: dos quartos, da casa, dos hóspedes, e de tudo que precisa funcionar. Então terminei minha catuaba, dei boa-noite e fui embora, não porque a noite estivesse ruim, mas porque o descanso também tem sua hora. E enquanto a chuva caía lá fora, eu voltava pensando, talvez, que a vida não precisa de luxo para oferecer beleza e prazer. Às vezes basta uma mesa, uma conversa e uma amizade, uma garrafinha quase vazia e um pouco de chuva na cidade. Felicidade não precisa de ocasião: ela aparece nas coisas pequenas, quando a gente presta atenção... Sandro Paschoal Nogueira

⁠#CORAÇÃO #VALENTE Pelos lugares onde anda... Fantasmas afugenta...
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⁠#CORAÇÃO #VALENTE Pelos lugares onde anda... Fantasmas afugenta... Opta viver de escolhas... E no talante do destino... É o escolhido... Olha no espelho e vê que não é perfeito... Escolhe o que vestir com esmero... Com olhos de querer... Sente-se belo... Afinal... "Os planos de Deus nunca falham"... Esquece de quem o deixou triste... Mas não esqueçe jamais de quem lhe fez feliz... Sempre lhe promete lhe dar o melhor... Às vezes se confunde... E se ajeita com o pior... Caminha no purgatório com destino ao paraíso... Talvez seja por tal... Não ser de muitos risos... Planta no chão suas esperanças... Num emaranhado de cores... Sonha até onde a vista alcança... Segue em frente com o coração valente... Um coração que não mente... Não chama de amor... O nó que não desatou... A sorte não deu... O tempo levou... Alma de criança... Tem medo de enfrentar... Seu próprio desejo... De muito amar. Sandro Paschoal Nogueira Conservatória - Caminhos de um poeta