Frase de Aleff Lavoisier
O Senhor Debaixo No metrô de SP Lá vai o senhor E sua bagagem. Às 6 da tarde Com um envelope na mão, Desce ele desse trem. O senhor debaixo da neblina, Acende o abajur no parque infantil, Tornando visiveis Os fantasmas que o rodeiam. Envolto na nevola, Um sussurro se faz ouvir: "O pendulo da morte, É a seta apontada pro peito do homem Que vaga sem definir seu destino." À caminho da catedral, Avista o tempo transbordando No peso de megafones, O grito de desespero Das almas que não partiram. Exala do perfume funebre E corre para a catedral. Esta se encontra a meia luz vermelha E o Cristo crucificado No centro do altar Chorando pelas almas perdidas. Vermes circulam as velas Que adornam o ambiente sagrado E o Cristo desapontado Com os homens, Se retira do templo. O senhor debaixo Da sagrada escritura, Resgata o bilhete do Cristo: "A vós vim com o amor E tudo que presenciei, Foi a repulsa as minhas palavras. Portanto, Aviso-te O amor não habita Em corações fechados." Ouve-se o som bizarro Da ambulancia a circular. Sob o comando do palhaço A gargalhar dos homens, Incapazes apenas de praticar As palavras do seu Cristo. Ao abrir da porta traseira, O paciente na verdade É o próprio Cristo. Não com marcas da salvação, E sim feridas no peito Fruto do abandono ao seu semelhante, Jogando pelo ralo, Toda a pregação . Então o senhor debaixo Do misterio que o cercava, Apenas abriu sua mala E levou o tal bilhete. As pistas agora se encontravam Como mais uma lembrança Do descaso. O Cristo se foi, mas o homem, Ah o homem... Nem sabe o que faz.
No pensador.ai desde