Frase de Pedro Rodrigues de Menezes
vodu por entre os dedos da terra sem pressa sem deter discorre sem forma e incolor o deus terrível profundo silêncio cálido que inebria e incapacita que engole sem mastigar os ásperos calos deformando as minhas trémulas e gélidas formas encerrando os olhos com o capim e as pedras e as folhas tardias do longo inverno na caverna aberta deste crânio quartzítico incandescente luz que me atravessa imobilizado pelas asas abismais ouço e vejo o temporal contra a gruta do meu próprio templo eu sou o templo e a sua ruína os seus antepassados futuros isto é o princípio do meu renascimento e por isso estou estendido nesta catarse envolvido pelo frondoso sudário da floresta aguardo a tácita palidez da minha própria morte talvez eu próprio seja este terrível deus porque ouço a voz da lua e o corpo do sol invocando em extintas línguas os meus nomes. (Pedro Rodrigues de Menezes, “vodu”)
No pensador.ai desde