Pular para o conteúdo

Frase de Sebastião Alba

Último poema Nestes lugares desguarnecidos e ao alto limpos no ar como as bocas dos túmulos de que nos serve já polir mais símbolos? De que nos serve já aos telhados canelar as águas de gritos e com eles varrer o céu (ou com os feixes de luar que devolvemos)? É ou não o último voo bíblico da pomba? Que sem horizonte a esperamos em nossa arca onde há milénios se acumulam os ramos podres da esperança.

Sebastião Alba

No pensador.ai desde

Fonte e informações de autoria

Pensador.com

Abrir fonte original (abre em nova aba)

Outras frases de Sebastião Alba

Gosto dos amigos Que modelam a vida Sem interferir muito;
Continuar lendo

Gosto dos amigos Que modelam a vida Sem interferir muito; Os que apenas circulam No hálito da fala E apõem, de leve, Um desenho às coisas. Mas, porque há espaços desiguais Entre quem são E quem eles me parecem, O meu agrado inclina-se Para o mais reconciliado, Ao acordar, Com a sua última fraqueza; O que menos se preside à vida E, à nossa, preside Deixando que o consuma O núcleo incandescente Dum silêncio votivo De que um fumo de incenso Nos liberta.

Ninguém meu amor ninguém como nós conhece o sol Podem utilizá-lo nos espelhos
Continuar lendo

Ninguém meu amor ninguém como nós conhece o sol Podem utilizá-lo nos espelhos apagar com ele os barcos de papel dos nossos lagos podem obrigá-lo a parar à entrada das casas mais baixas podem ainda fazer com que a noite gravite hoje do mesmo lado Mas ninguém meu amor ninguém como nós conhece o sol Até que o sol degole o horizonte em que um a um nos deitam Vendando-nos os olhos

O limite diáfano Movo-me nos bastidores da poesia, e coro se de leve a escuto.
Continuar lendo

O limite diáfano Movo-me nos bastidores da poesia, e coro se de leve a escuto. Mas o pão de cada dia à noite está consumido, e a alvorada seguinte banha as suas escórias. Palco só o da minha morte, se no leito!, com seu asseio sem derrame... O lado para que durmo é um limite diáfano: aí os versos espigam. Isso me basta. Acordo antes que a seara amadureça e na extensão pairem, de Van Gogh, os corvos.