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Frase de Rosangela Montano

O Comboio do Coração Há, dentro do peito, um viajante antigo, um maquinista de névoas e memórias, que percorre trilhos invisíveis entre o que sentimos e o que ousamos dizer. Chamam-no coração. Mas ele não é apenas carne e pulsação: é um comboio de corda, movido pelas mãos secretas do sonho, avançando entre estações de ausência e plataformas de esperança. Por vezes, canta. Por vezes, range como ferrugem esquecida. Ainda assim, segue. O poeta observa, da janela da alma, e traduz o movimento dos vagões em palavras que parecem verdade, embora sejam apenas o reflexo da verdade vestida de imaginação. Porque sentir é uma chama indomável, mas escrever é transformá-la em estrela. E toda estrela, ao nascer no papel, perde um pouco do fogo original para ganhar a eternidade da luz. Assim, o verso parte, como uma locomotiva atravessando a noite, levando passageiros feitos de lembranças, saudades sem destino e amores que nunca desembarcam. O poeta sabe. Sabe que a dor escrita não é a mesma dor sentida. É uma irmã mais elegante, que aprende a dançar com as sombras e sorri diante do abismo. Sabe também que a alegria, ao vestir-se de poema, deixa de pertencer a um único coração e passa a habitar milhares deles. Por isso, escreve. Não para explicar o mistério, mas para torná-lo ainda mais belo. E o coração, esse velho comboio de corda, continua a sua viagem interminável, cruzando pontes de silêncio, atravessando túneis de pensamento, colecionando paisagens que ninguém vê. Até que, um dia, na derradeira estação do tempo, os trilhos desapareçam no horizonte. Então, permanecerão apenas os versos: essas pequenas locomotivas da eternidade, que seguem viajando sem fim pelos territórios da alma humana, enquanto o poeta, já ausente, continua chegando. Rô Montano

Rosangela Montano

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Fonte e informações de autoria

Pensador.com

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A Oficina dos Dias Somos retalhos de vivências alinhavados pelo tempo, sem pressa.
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A Oficina dos Dias Somos retalhos de vivências alinhavados pelo tempo, sem pressa. Cada um carrega no avesso do pano o mapa de uma guerra, o sal de uma promessa. Não nascemos inteiros. Fomos feitos na oficina de perdas e achados. Um pedaço veio do primeiro tombo; outro, do beijo que ficou calado. Buscamos sinais no passado como arqueólogos de nós mesmos. Escavamos a argila da memória para entender o molde do que tememos. E o que achamos? Um baú sem chave, onde o riso dorme ao lado do pranto; onde o nome que não dissemos ainda ecoa num quarto. Reciclamos paixões, sim. Somos mestres em alquimia tardia. Pegamos a cinza de um amor que não vingou e fazemos dela nova poesia. Tiramos do mar do esquecimento náufragos que julgávamos mortos: uma carta, um cheiro, uma música antiga, e o peito vira cais, vira porto. Nos deleitamos com as lembranças não por fraqueza de quem não anda, mas porque toda raiz precisa da água escura que a expande. Guardadas na alma, elas fermentam: são vinho velho em pipa de osso. Quando a vida aperta a garganta, um gole de ontem desfaz o nó grosso. Injetamos vida no que foi com a agulha da insistência. Ressuscitamos instantes banais e os coroamos de transcendência. Porque viver não é linha reta: é espiral que volta e avança. O menino que fomos nos olha e cobra do homem a mesma esperança. Somos feitos de fins que viraram meio, de adeuses que aprenderam a voltar. Cada cicatriz é uma costura onde a luz resolveu morar. E se alguém perguntar do tecido que veste a nossa humanidade, responde: é colcha de mil histórias, remendada com dor, com fé, com saudade. No fim, quando o corpo cansar e a linha da vida se romper, que nos enterrem com essa colcha: pois fomos tudo o que deu para ser.

Tudo o Que Eu Quero Ser em Ti Queria deter o tempo em seu caminho, fazer dos nossos instantes eterna luz,
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Tudo o Que Eu Quero Ser em Ti Queria deter o tempo em seu caminho, fazer dos nossos instantes eterna luz, não deixar que o momento se desfaça, mas guardá-lo em nós como um sagrado laço. Quero ser a calma que acalma teu mundo, a paz que repousa no fundo da alma, o mel que suaviza cada palavra tua, doçura que fica, mesmo quando silencia. Ser o toque suave que te envolve e veste, acender o desejo mais vivo e profundo, aquela lembrança que traz ternura aos olhos, a história que amas e que nunca se acaba. Ser o olhar que encontra o teu e te encanta, o carinho que afaga quando o cansaço vem, o abraço que acolhe, que segura e conforta, a voz que te fala e que só a ti conhece. Ter o sabor do beijo que fica na pele, o calor do abraço que nunca é bastante, fazer do meu sonho a tua realidade, e do nosso amor a verdade mais radiante. Pois quero ser tudo, em cada detalhe, tudo o que és em mim, em cada manhã: o sentido que faz a vida valer a pena, o amor que, em nós, se tornou eterno.

O Enlace que Fica Vida é apenas o tempo de se encontrar, uma porta aberta por onde dois passam e se veem.
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O Enlace que Fica Vida é apenas o tempo de se encontrar, uma porta aberta por onde dois passam e se veem. Podem chegar perto, se aquecer, se tocar, mas ainda são dois, que o mundo separa e une. Só quando a existência se apaga e se acalma é que se faz a união que não tem mais fim; não há mais entremeio, nem distância, nem limite, é um ser no outro, inteiro e sem fim. Enquanto aqui estamos, o corpo só sabe ter no abraço o seu jeito de se achegar; ele aperta, ele sente, ele faz o que pode, mas é na alma que o laço vai se firmar. Porque o abraço passa, ele é feito de instante, se desfaz quando os braços se afastam então; mas o enlace das almas não tem mais barreiras, ele existe antes mesmo, e vive depois, além do tempo e da condição.

Ode à Poesia Ó Poesia, filha do silêncio e irmã da eternidade! Tu és o sopro invisível que desperta a alma quando o mundo adormece na monotonia dos dias. Antes que existisse a tinta, já habitavas o coração. Antes que as mãos aprendessem a escrever, já desenhavas universos na de…
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Ode à Poesia Ó Poesia, filha do silêncio e irmã da eternidade! Tu és o sopro invisível que desperta a alma quando o mundo adormece na monotonia dos dias. Antes que existisse a tinta, já habitavas o coração. Antes que as mãos aprendessem a escrever, já desenhavas universos na delicada linguagem dos sentimentos. És chama que não consome, rio que jamais se esgota, vento que atravessa os séculos sem perder o perfume da primeira inspiração. Em teu templo, as palavras deixam de ser meras letras para tornarem-se asas. Elas voam sobre montanhas de dor, atravessam desertos de solidão e regressam trazendo o orvalho da esperança. Tu conheces o nome de todas as lágrimas. Sabes distinguir a lágrima da saudade, a da alegria, a do reencontro, a da despedida e aquela que nasce quando Deus toca o coração sem pronunciar uma única palavra. És jardim onde florescem os sonhos que o tempo não conseguiu apagar. És oceano profundo, onde mergulham os que procuram mais do que respostas: procuram sentido. Quando o amor se torna pequeno para caber na linguagem comum, é em teus braços que ele encontra morada. Quando a dor já não suporta o peso do silêncio, é em tua voz que ela descobre a dignidade da beleza. Tu transformas cinzas em primavera, feridas em sabedoria, espera em confiança e saudade na mais pura forma de permanência. Poesia, tu não desafias o tempo; tu o santificas. Fazes de um instante uma eternidade inteira e de uma vida simples uma obra que jamais se apaga. Por ti, o céu desce às palavras, e as palavras aprendem a subir ao céu. Ao teu encontro, o invisível ganha rosto, o impossível ganha caminho e o coração encontra o lugar de onde nunca deveria ter saído. Que jamais se cale a tua voz! Pois quando a poesia silencia, o mundo perde um pouco da sua luz, a esperança se torna mais distante e a alma esquece que nasceu para contemplar a beleza. Permanece entre nós, ó eterna companheira, ensinando-nos que viver é muito mais do que existir: é sentir profundamente, amar sem medida, esperar com coragem e descobrir Deus em cada pequeno milagre escondido nas entrelinhas da vida. Salve, Poesia! Enquanto houver um coração pulsando, um olhar voltado para o infinito, uma flor desabrochando ao amanhecer e uma alma disposta a amar, o teu canto viverá e ecoará para sempre por todos os tempos.