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Frase de Luis Mateus

⁠A tua caligrafia... A tua caligrafia é imaculada como as pedras do rio. A tua letra engomada, como a vaidade de quem a nada se curva. Letras tuas assim dispostas, em falares e perguntas, Espalhadas pelas encostas de parágrafos que juntas, Não param de me cantar! Andas perdida de mim, como o sapato da Cinderela! A minha espera já vai alta, Como a escuridão dos corpos celestes mais distantes do universo. E depois os Deuses, Dão-me a luz do dia: a tua caligrafia! Ela declama pra mim só nos solstícios de Verão! Esses dias são quentes e longos! Mas são poucos! Como poucos são os meus sorrisos, que são às direitas como a tua letra! Mas afinal o que escondem as montras da tua caligrafia? Amor ou agonia? O que pensarão os teus olhos nos dias em que te escrevo? Os meus já pesam, de querer um pequeno casebre que nos bastava! Tudo o resto, se não viesse, eram amendoins para dar aos macacos apenas... Vezes sem conta passo-te a pente fino, Como o amor que fazemos sem tu saberes! Sou eu que o imagino. O amor e o cheiro dos teus comeres. Cheiras-me a cinco filhos e um lar. Uma casa onde o amor se cante E onde nos vejo a governar: Tu princesa, eu infante E os miúdos nos afazeres de criança! Queria dar-te o universo de bandeja Mas ao menos receber uma esperança que se veja! Depois de te ler, abre-se-me um vazio Por onde a tristeza cai à terra, como um dominó que tomba todas as palavras que li... Depois, meto-as na gavetas das coisas que me metem medo E pergunto-me em segredo e lavado em choro: Quando será paga a última prestação deste namoro?

Luis Mateus

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Pensador.com

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⁠Amo-te assim! Amo-te assim, como o fogo ama arder E arremessar calor e luz do seu ninho; Quero assim como ele, amar-te e morrer Contigo e assim arder devagarinho. Amo-te assim meu amor, e lá mais adiante Quando formos pó, poeira e coisa nenhuma, Debaixo da terra, serei teu amigo e amante, Serei teu mundo, até que ele nos consuma. Amo-te assim, tão-só e simplesmente, Que tão certo é Deus ser fé e piedade Como a minha boca que não te mente Ou estrelas e astros terem gravidade! Perca eu a voz, o chão e tu e de repente, Se este soneto não é, todo ele verdade.

⁠O primeiro amor Antes de tudo e todos, vem o primeiro Encanto, beijo, paixão, ou amor talvez,
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⁠O primeiro amor Antes de tudo e todos, vem o primeiro Encanto, beijo, paixão, ou amor talvez, Uma flor que se dá ou não por inteiro Ou o primeiro amor ou a primeira vez. Pousa a borboleta na flor de um jeito, Que no mel de seu ventre faz encosto, Como o tolo coração, que fora do peito Bate, antes de lhe bater um desgosto. O primeiro beijo é tépido e desajeitado, A prima paixão, tonta e sem medida E a primeira vez é um céu estrelado! Nada é eterno! Tudo é início e partida. E o primeiro amor dura só um bocado Até vir o primeiro desgosto da vida.

⁠Profetas Papaloni Certas tolas manadas de burlados credores Carregam profetas ilusionistas em andores
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⁠Profetas Papaloni Certas tolas manadas de burlados credores Carregam profetas ilusionistas em andores Que amestram uma tal curvada humanidade Num certo pasto d’uma reles fraternidade! Dizem cuidar d’um tal rebanho espremido, Da ovelha que lá foi e não devia ter ido, Como a que não sabe por onde tem andado: Se submissa, a pecar ou a roçar o pecado. Papaloni é ser um tal pastor engenheiro De questionável fé e duvidosa salvação, Que através de um tal medo aduaneiro, Cobra ao mundo uma certa contribuição, Porque uns dão um desatento dinheiro A uma irmandade atenta à desatenção.

⁠Mentir o amor A mentira severa que dura Engana a boca que a profere!
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⁠Mentir o amor A mentira severa que dura Engana a boca que a profere! É lobo sem lei nem bravura! É cordeiro em pele de engodo Que a todos dor confere. Vai cavando a sua sepultura E conspurcando de mágoa, O algodão que tinha no princípio. A língua ensanguentada É limpa depois com tintura, Pra desinfetar culpas e aflição! E nas entrelinhas do seu errar, Vai pedindo ao amor, Perdão! Mentir, Quem não usou já dessa pomada? O problema da mentira É a sua incontinência! Quando já nada a segura! Quando ela vira gente E mente, mente, mente!