Frase de Antonio Montes
INGNÁVIA Vocês que já viram tanto! Esperem até verem, aquele menino que eu vi... De alpargatas, vestes rasgadas, todo sujo, tomar banho... Até queria mas... Nunca encontrava água, alem, do chafariz. Um dia aquela mulher, toda saia, rodada em seus sentimentos passou pelo reduto, d'aquele menino o medo expelia n'aquele breve momento... A fome, esticou a mão do pedinte... 'Dai-me um pão, apenas um pão' para que eu possa, burla a minha fome que da forma que me vem... Muito breve ela me atalha, e eu assim... nunca! Nunca conseguirei, chegar a ser homem. A mulher, por ser pedida e com medo todo d'aquela vida tremia n'aquela avenida... O menino por sentir-se frágil e com a fome em espantalho tremia em seu medo 'no medo de nunca conseguir ser grande. O medo ali, espalhava-se... Nos olhares, nos passos sob a multidão na aglomerações dos ônibus e no, estiramento das mãos. Tudo era medo n'aquela cidade até mesmo a vaidade... Sorria com medo de um dia, minguar, e ficar mesquinha. O medo, estampava-se... Nos sentimentos das autoridades nos amores dos namorados nas intensidades dos telhados e pelas ruas dos bairros alagados. Pela noite de blecaute, medo ... Medo pelas sombras das calçadas pelas portas abertas das casas e pelos contos falsos das fadas. Era medo em cada esquina em cada quina em cada rima nas ordens dadas de cima e medo por ser, menina. O medo cresceu ficou bruto passeava pelos viadutos pelas pontes e pelas placas e pelas caixas de papelão. O medo ficou de ressaca se deitou na classe alta e foi tremer o coração. Antes o medo era pobre aumentou como se fosse preço e tomou conta da nação. Agora todos estão com medo... O mundo, não tem mais segredo e o povo, não é mais irmão. Antonio Montes
No pensador.ai desde