Frase de Nicola Vital
CRÔNICA, PAIXÃO PELA ESCRITA. Escrever é um exercício de amor ou quase santidade. E, como os apaixonados nossas criações faz despertar o egocentrismo intrínseco ao ser. Todos os textos que escrevo, sempre imagino que as pessoas assim como eu, também vão gostar e admirar. E no intuito de mensurar essa ideia, eu quase sempre peço a opinião dos meus próximos que na maioria das vezes, minimiza com a deprimente frase. - Eh! Mais ou menos. [Com uma discreta torcida no nariz]. Claro, ninguém é obrigado a gosta do que eu gosto ou faço. Mas não é de se negar que diante de tamanha afirmativa, não role certo desanimo. ai a gente coloca aquele textinho de molho em um “balde de água fria” Mas como toda mãe e todo pai nunca vai aceitar que seu filho seja feio ou imprestável. Logo o abraçamos oferecendo-lhe o calor do sentimento. - E ai, fazemos novas leituras, colocamos a quarar no anil. - E outras e outras leituras, para podermos expô-lo Como diria Graciliano Ramos. - E só após, postamos para o veredito social. - Transbordando-nos de curiosidade para saber qual vai ser a aceitação daquela obra. - Nos tornando uma capsula de ansiedade e esperança. E ante uma diversidade de opiniões, eis que surge uma alma que se reconhece ali naquele texto, e se declara admirador do autor, mesmo sem nunca tê-lo visto. Talvez fosse um gesto saudosista ou um instante de ínfima lucidez. - Mas no cotidiano do autor é inexoravelmente o êxtase. - O condimento para seguir sua caminhada com esmero e carinho. E então se conclui que o ato da escrita é quase um sentimento de santidade. É como fazer Hamlet lá 1956, com câmeras pesadíssimas sem VT, sem cores, sem nada. Só paixão e raça. E somente por amor verdadeiro nos propomos a escrever em uma nação em que não se prima pela leitura crítica e pensante.
No pensador.ai desde